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Sobre NBA e afins

A NBA mexeu no calendário de jogos neste ano, mas ele continua injusto

( John Geliebter-USA TODAY Sports)

A maratona de jogos, as partidas em dias seguidos e um calendário desequilibrado sempre foram as maiores reclamações dos jogadores. A relação é óbvia: quanto mais jogos em menos tempo, mais desgaste físico e mais lesões. As consequências disso são as piores possíveis: atletas não podem trabalhar, ficam rotulados como ‘chinelinhos’ e têm descontos em seus novos contratos, times ficam sem seus melhores jogadores nos momentos cruciais, torcedores não têm à disposição o melhor basquete possível para assistir e as redes de televisão, que bancam a coisa toda, mostram times desfigurados.

Ano após ano, a NBA tem tentado solucionar isso. A ideia mais viável não é diminuir o número de jogos, pois isso afetaria diretamente a receita – por mais que 82 partidas de temporada regular por time seja uma insanidade -, mas distribuí-los melhor ao longo do calendário. A temporada passada ganhou uma semana a mais do que o normal, a atual foi esticada em mais duas semanas. Com isso, o tempo total para que todas as partidas sejam disputadas aumenta e diminuem as ocorrências de ‘back-to-backs’, jogos em dias seguidos, que são comprovadamente os maiores vilões para lesões musculares.

Mas, mesmo assim, o problema não está totalmente solucionado. A NBA ainda não conseguiu distribuir de forma igualitária e justa os jogos ao longo dos meses. O Boston Celtics é hoje o maior exemplo deste desequilíbrio. O time já entrou em quadra 40 vezes neste ano, cinco vezes mais do que a média, que jogou 35 partidas. Considerando que o ideal é que exista de um a dois dias de descanso entre um jogo e outro, os demais times da liga vão chegar à marca das 40 partidas só daqui duas semanas – uma diferença considerável.

Da metade da temporada em diante, quem vai jogar muito mais do que os outros e quase não ter descanso é o Philadelphia 76ers. Em um período de 3 meses, vai jogar 45 jogos – o suficiente para jogar dia sim, dia não nos próximos 90 dias, descontando a pausa do All Star Game.

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Isso tem dois impactos bem flagrantes. O primeiro é que as lesões por fadiga aumentam. Jaylen Brown teve um problema no tendão de Aquiles por desgaste físico. Para evitar maiores complicações, as franquias também tendem a manejar o físico dos seus jogadores e poupar alguns atletas de vez em quando. O Sixers, que toma um cuidado até exagerado com seus talentos, muito provavelmente vai segurar Joel Embiid, Ben Simmons e Markelle Fultz (se voltar) daqui para frente.

Isso gera um segundo problema: o desempenho das equipes tendem a cair. O Celtics já sofreu com isso, com uma desaceleração flagrante da sua performance nos jogos do final de dezembro. Claramente por falta de gás. O Sixers, por sua vez, vai sair prejudicado em uma eventual briga pelas últimas vagas dos playoffs.

A NBA tem uma justificativa pra isso. Os dois times fazem um jogo em Londres no dia 11 de janeiro. Como a viagem é longa, os times vão folgar cinco dias antes e cinco dias depois do jogo – um luxo neste calendário – fazendo com que a liga tenha que ‘espremer’ seus jogos ao longo dos outros meses.

Acontece que, como os planos de expansão e globalização da NBA são cada vez mais ambiciosos, este tipo de situação deve ser cada vez mais comum com o passar dos anos. Logo, de nada adianta aumentar a temporada em algumas semanas se os times continuarão jogando muitas partidas com um intervalo pequeno de dias.

É algo que precisa ser solucionado – sob o risco dos jogos que acontecem fora dos EUA serem realizados sem os seus principais jogadores, lesionados pela maratona de jogos.

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