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Apesar da sequência de 11 vitórias, o Cavaliers é um time pior neste ano

Derick E. Hingle-USA TODAY Sports

As 11 vitórias seguidas que o Cleveland Cavaliers emplacou ao longo do último mês foi suficiente para salvar o emprego de Tyronn Lue, para nos lembrar que Lebron James ainda é o melhor jogador de basquete do planeta e que o time vai se classificar com tranquilidade entre os primeiros da conferência Leste, mas não para convencer que o time deste ano é melhor do que o Cleveland vice-campeão da NBA na temporada passada. Hoje, mesmo com a maior sequência de vitórias vigente entre todos os times da liga, o Cavs não parece ser a principal ameaça ao Golden State Warriors.

Para começar, o Cleveland teve o calendário mais fácil da liga nestes últimos jogos. Mavericks, Clippers, Nets, Hawks e Grizzlies não têm representado um desafio muito grande pra ninguém. Óbvio que o time cumpriu sua obrigação – no começo do campeonato nem isso estava conseguindo fazer -, mas não eram equipes que representavam um grande desafio a Lebron e companhia.

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Mesmo assim, a franquia não tem vencido com sobras. Quase todo jogo é decidido nos últimos minutos, com o placar apertado. Tanto é que apesar de ser o segundo no Leste em vitórias, sua diferença média de pontos nos jogos é de +2,7, bem abaixo dos +7 de Toronto Raptors e Boston Celtics, outros times que estão no topo da tabela da conferência.

Isso acontece por uma série de motivos. O time ainda está encontrando sua identidade – é verdade que demorou mais do que os demais que também mudaram radicalmente – e metade do elenco está baleado por lesões. Mas por isso e também por fatores além desses, é fato que o Cleveland Cavaliers é um time pior do que o do ano passado.

A começar pela principal troca do time. Por mais que o time tenha conseguido um troco melhor do que o mercado geralmente oferece por uma superestrela como Kyrie Irving, houve uma queda de patamar na qualidade geral do time. Isaiah Thomas ainda não estreou, Ante Zizic mal jogou e Jae Crowder, único que entrou em quadra até agora, vive um dos piores anos da sua carreira. O ala vem registrando os piores aproveitamentos de arremessos de todos seus anos como profissional e tem jogado com a tenacidade de uma gelatina vencida na defesa. Logo, se Kyrie Irving por Jae Crowder já seria uma troca bem desvantajosa para o Cavs, imagina se o Crowder que eles receberam em troca é o pior que já existiu?

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As demais contratações também não vêm ajudando como o esperado. Dwyane Wade, apesar dos flashes de brilhantismo, tem gás limitado. Derrick Rose não consegue se manter em quadra e agora vive uma crise existencial que pode o levar à aposentadoria.

Nestas condições, ainda sem Tristan Thompson e Iman Shumpert, o time de hoje é com certeza pior do que era.

Ainda há o agravante da idade. O elenco é o mais velho do campeonato, com 31 anos de média. Se isso dá alguma experiência para o time decidir partidas mais complicadas e pegadas, por outro lado compromete o fôlego defensivo. O time é um dos dez piores em roubos de bola e tocos, jogadas que dependem muito da disposição atlética dos jogadores.

Muita coisa ainda vai mudar, especialmente porque jogadores vão voltar do Departamento Médico e Isaiah Thomas vai estrear em determinado momento. Mas hoje não podemos nos deixar enganar: as 11 vitórias seguidas do Cleveland Cavaliers ainda não fazem da equipe uma ameaça aos principais times do campeonato.

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