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Dennis Rodman quer salvar o mundo da tensão entre EUA e Coreia do Norte

(AP)

Nada nessa história parece razoável. O presidente completamente maluco de um micro-país até outro dia completamente irrelevante para a geopolítica mundial começa a falar, ameaçar e fazer algumas atrocidades. Outro presidente igualmente insano de outro país, este o maior, mais poderoso e relevante do globo, se inflama, entra na briga e promete acabar com o novo rival. Os dois ameaçam transformar o mundo inteiro em um grande cogumelo nuclear caso o inimigo atravesse a linha imaginária do bom senso – que nenhum dos dois tem. Se o roteiro simplificado da tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte está mais para um enredo de comédia pastelão non-sense da série de filmes do Austin Powers, era de se imaginar que o herói-protagonista escolhido pela comunidade mundial para mediar esta disputa diplomática seja um sujeito tipo Dennis Rodman.

O jogador aposentado, que está com agenda publicitária marcada na China, declarou esta semana que se coloca à disposição dos dois países para mediar uma conversa diplomática entre Donald Trump e Kim Jong-Un.

Por mais bizarro que isso seja, há um pingo de sensatez na proposta. Rodman deve ser o único cara do planeta que pode se considerar amigo tanto do líder norte-americano quanto do ditador asiático.

Em 2009, Dennis participou de uma versão de celebridades do Aprendiz, programa nos EUA originalmente apresentado por Trump. O ‘verme’ não durou muito tempo, foi demitido pelo político já no quinto programa, mas conseguiu criar uma relação amistosa com o futuro presidente a ponto de ser carinhosamente convidado para a especialíssima versão de ‘celebridades all star’ do reality show, quatro anos mais tarde – quando novamente teve um desempenho fraco e foi um dos primeiros eliminados. No ano passado, quando Trump foi eleito, Rodman fugiu do senso comum da comunidade do basquete – amplamente apoiadora de Barack Obama – e declarou que votaria no republicano, já que eram “amigos de longa data”.

A outra ponta desse triângulo amoroso surgiu quando Rodman foi à Ásia acompanhando uma excursão do Harlem Globetrotters em 2013. Quando o time jogou na Coreia do Norte, Kim Jong-Un decidiu prestigiar o jogo in loco. Assistiu à exibição da beira da quadra, ao lado do ex-jogador do Chicago Bulls e Detroit Pistons. A partir daí, viralizaram fotos dos dois gargalhando na arquibancada. Depois do jogo, os dois ainda jantaram juntos no palácio do líder coreano.

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Na oportunidade, Rodman voltou aos EUA dizendo que Kim era um cara espetacular, fã de basquete e que os dois tinham virado grandes amigos. Disse também que merecia um Nobel da Paz por ajudar a esfriar a disputa entre os países. Entre outras idas e vindas para a Coreia do Norte, a relação com os EUA piorou a ponto de Kim Jong-Un ameaçar atacar bases americanas e Donald Trump replicar dizendo que poderia invadir o país, numa tensão inédita entre os dois.

A ideia de Rodman, agora, é que Trump suspenda a resolução vigente desde setembro que proíbe que cidadãos americanos vão até o país coerano para que ele promova a paz entre seus dois amigos. Dennis alega que na sua última viagem já mexeu seus pauzinhos e que não foi coincidência que justamente na última vez que pisou no território de Kim Jong-Un, o país libertou Otto Warmbier, estudante americano que ficou preso por mais de um ano realizando trabalhos forçados por ter roubado um banner propagandista local – o rapaz voltou aos EUA com uma lesão cerebral irreversível e morreu um tempo depois em decorrência disso. O serviço de inteligência dos EUA nega que foi Rodman o pivô da libertação de Warmbier.

Verdade ou não, a amizade dele com os dois líderes e os interesses em comum (os três são figuras polêmicas, egocêntricas, têm gosto duvidoso para penteados, etc) poderiam ajudar em alguma coisa o resto do mundo. Considerando as figuras envolvidas, acho um pouco difícil. Mas se todo o roteiro é surreal, o desfecho pode ser surpreendente. Tomara!

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