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Troca de Griffin redefine os papéis de Pistons e Clippers na liga

(AP Photo/Mark J. Terrill)

Segundo o guru dos furos da NBA Adrian Wojnarowski, o Detroit Pistons mandou na noite desta segunda-feira (29) um pacote com Avery Bradley, Tobias Harris, Boban Marjanovic e escolhas de draft, uma de primeiro e outra de segundo round, para o Los Angeles Clippers em troca de Blake Griffin, Brice Johnson e Willie Reed. A troca reordena o papel de cada um dos times e dos jogadores envolvidos no campeonato deste e dos próximos anos.

De cara, o Clippers anuncia em alto e bom tom pra toda a liga que está liquidando o elenco atual em busca de escolhas de draft e jogadores jovens e baratos. Nesse movimento, então, é bem natural imaginar que a franquia esteja ouvindo propostas por DeAndre Jordan – de olho, principalmente, na escolha de primeiro round do Brooklyn Nets, que atualmente está com o Cleveland Cavaliers, time que assumidamente se interessa pelo pivô – e que queira aproveitar o momento para se livrar de Lou Williams na alta – típico jogador que cairia muito bem para liderar o time reserva de qualquer equipe que esteja pensando em brigar pelo título.

Desta forma, a franquia de Los Angeles explicitamente barra a régua na era mais vitoriosa da sua história e parte para uma próxima fase – e se tratando de Clippers, é de se esperar que volte a orbitar o final da tabela por um bom tempo, já que é a franquia mais perdedora da história da NBA.

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Até aí, nada de muito surpreendente. Depois da saída de Chris Paul, das várias lesões do atual elenco e da perda de prestígio de Doc Rivers, era esperado que o time fosse ao mercado. Mas não sei se trocando Blake Griffin. O jogador assinou uma extensão gorda na última offseason, de cinco anos e 171 milhões de dólares, reafirmando a sua vontade de jogar pela franquia por muitos anos. Na oportunidade, o acordo foi comemorado por Steve Ballmer, que comprou o time recentemente com a intensão de fazê-lo um concorrente perene ao título, e Jerry West, lenda da NBA, consultor do front office e um dos arquitetos do atual elenco do Golden State Warriors, onde trabalhava dando seus conselhos valiosos.

Até acho que o time poderia estar atrás de trocas envolvendo Blake, mas sendo a estrela que é, imagino que o Clippers poderia conseguir alguma promessa mais concreta. Um jogador jovem com talento incontestável, escolhas mais valiosas, sei lá.

Avery Bradley é um baita jogador e se permanecer no time fará um backcourt feroz na defesa ao lado de Patrick Beverley. Tobias Harris, por mais que esteja na liga há duzentos anos parecendo que vai estourar, ainda é relativamente jovem e vem tendo o melhor ano da sua carreira. Ambos formam um troco bacana, mas não me parece que seja algo que esteja realmente nos planos do Clippers ou que vá ao encontro do que o time de fato quer. A franquia pode ter tentado algo diferente e não ter conseguido, não dá pra saber. Mas essa troca, desse jeito, não me parece a melhor possível.

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O fato é que Blake Griffin agora é jogador do Detroit Pistons, o que reconfigura radicalmente a franquia e seu lugar na conferência Leste. Para começo de conversa, gosto da ideia de Griffin jogar em um time do outro lado do mapa americano. Com tanto talento concentrado no Oeste, é um alento que uma estrela deste tamanho faça o movimento contrário da maior parte dos jogadores.

Gosto também de ver um Pistons com mais um grande jogador – principalmente porque Griffin tem um histórico que não é dos melhores e uma fama contestável na liga, o que inegavelmente fez sucesso em Detroit ao longo das últimas décadas. Ele e Andre Drummond formam um garrafão respeitável.

Mas não vejo a dupla fazendo muito sucesso logo de cara. Stan Van Gundy é um bom técnico, mas tem demorado para conseguir fazer seus times jogarem do modo que quer. Com a adição no meio da temporada, abrindo mão de meio time, então? Imagino uma equipe jogando exclusivamente na individualidade dos seus talentos pelos próximos meses, quem sabe encrencando em algum round inicial de playoffs, mas para vir com força, de fato, na próxima temporada.

Hoje o Detroit sai quebrado da troca, com três bons titulares e mais um bando de jogadores brigando para completar a rotação. É muito difícil, apesar da reunião dos talentos de Blake e Drummond, bater de frente contra times como Boston Celtics e Toronto Raptors, que estão anos-luz mais bem ajeitados, ou Cleveland Cavaliers, que tem o triplo de bons jogadores.

Mas a dupla é suficiente para chamar a atenção de outros jogadores na próxima offseason e transformar Detroit em um destino mais atraente para jogadores sem contrato. Duas contratações acertadas e o time já pode naturalmente se credenciar para a metade de cima da tábua de classificação.

Ainda restam dez dias até a data limite para as trocas. A exemplo do que acabou de acontecer, é possível que muitos times ainda assumam novos papéis a partir destas negociações. Dado o número de possibilidades atuais, é torcer para que o general manager do seu time não faça besteira.

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