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Automobilismo para entusiastas

Antes favorito, agora confuso. O que acontece no time campeão da Fórmula E?

(Foto: Shivraj Gohil)

A Fórmula E fez no último sábado (3) em Santiago, no Chile, a quarta etapa da temporada. A vitória de Jean-Eric Vergne, em dobradinha da Techeetah com André Lotterer, colocou o francês na ponta do campeonato à frente do sueco Felix Rosenqvist, em corrida cheia de disputas. Nelsinho Piquet, lutando por um lugar no pódio, acabou mesmo em sexto após uma mal-sucedida tentativa de ultrapassagem sobre Sébastien Buemi, que fechou em terceiro.

Por mais que a liderança do torneio tenha mudado de mãos, o que tem chamado mais atenção de quem trabalha na categoria é o que vem acontecendo com a Audi. A equipe, campeã de pilotos com o brasileiro Lucas di Grassi na última temporada, pintava como favorita no início da temporada, visto o bom desempenho que demonstrou nos três dias de testes coletivos em Valência, na Espanha.

Entretanto, quando começou a temporada, os problemas vieram junto. Lucas mostrou excelente desempenho, provou que o carro é rápido, mas ele ainda não terminou uma corrida. Ficou fora nas duas corridas de Hong Kong, com o problema lhe prejudicando, inclusive, no treino de classificação em Marrakesh, quando se colocou entre os cinco que disputariam a pole position e não conseguiu completar a volta rápida na Super Pole.

No Chile, no último sábado, parecia que as coisas haviam se resolvido. A equipe trocou o inversor do motor elétrico do carro – o que dá a punição com a perda de dez posições no grid. Lucas se classificou em terceiro, e largou da 13a posição. Era rápido, fez várias ultrapassagens no calor superior a 30 graus no Parque Florestal de Santiago, e já saíra em quinto após o pit stop para troca de carro. Na volta seguinte, seu carro parou sem potência.

Desta vez, nem a equipe sabe a origem do problema.

A Fórmula E é um mundo novo para a Audi. Até a temporada passada, o time gerido por Hans-Jürgen Abt trazia o nome da montadora das quatro argolas, mas seu trem-de-força era desenvolvido pela parceira técnica Schaeffler. Com a saída da Audi, no fim de 2016, do FIA WEC, onde introduziu e dominou a tecnologia híbrida, foi a vez de entrar de cabeça no mundo dos elétricos e desenvolver as peças na Fórmula E. Know-how a marca tem, mas ainda não conseguiu tornar seu carro confiável. Lembra a situação da McLaren com a Honda na F1.

Em Valência, nos testes, tudo correu bem e o time se colocou entre os favoritos; depois disso, só problemas. E nem o novo chefe de equipe Allan McNish sabe o que acontece. O ex-piloto escocês já balança na corda alemã e tem feito um grande exercício de relações públicas para tentar explicar o que se passa sob seus domínios.

(Allan McNish, que estreia na função de chefe de equipe, e cuja batata já assa para os lados de Neuburg e Ingolstadt)

Di Grassi é o único dos pilotos oficiais a não ter somado sequer um ponto após quatro corridas. O sonho do bicampeonato já ficou para trás. O objetivo do brasileiro agora é fazer o carro terminar as corridas e brigar pelas vitórias – velocidade, como ficou provado, seu equipamento tem.

A próxima etapa acontece na Cidade do México, onde ano passado ele conquistou a mais improvável de suas vitórias. Dentro da equipe, cobra-se uma reação, e urgente.

“Outro abandono por causa de confiabilidade. Improvável, irreal e inacreditável. Agora, precisamos de um milagre”, escreveu o campeão em sua conta oficial no Instagram. Lucas sabe trabalhar em equipe, sabe como estimular todos a sua volta, mas é exigente. Talentoso, requisitado e extremamente inteligente, Di Grassi sabe que uma hora a “seca” termina. Mas a paciência também tem prazo de validade.

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