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Automobilismo para entusiastas

O ano começou no automobilismo. E com brasileiro no topo do pódio

Podemos respirar aliviados e dizer que 2018, no que se refere ao automobilismo, enfim começou. No último final de semana foi disputada uma das mais tradicionais corridas do endurance mundial, e de longe, as 24 Horas de Daytona. A prova, cheia de presenças ilustres, teve a terceira vitória de Christian Fittipaldi na corrida, no Cadillac DPi que dividiu com os portugueses João Barbosa e Filipe Albulquerque.

Vencedor da prova em 2004 e 2014, Fittipaldi tornou-se o primeiro brasileiro três vezes campeão no geral em Daytona. Barbosa também venceu pela terceira vez (2010, 2014 e 18). Albuquerque ganhou pela primeira vez no geral (venceu em 2013 na categoria GT). A disputa da 56ª edição das 24 Horas de Daytona contou com 50 carros inscritos, divididos nas categorias Protótipo, GT Le Mans e GT Daytona.

Outro marco para o trio do #5 Mustang Sampling Cadillac é que as 808 voltas da corrida é um novo recorde em uma edição. O anterior (762 voltas no total) foi anotado em 1992. Fittipaldi, Albuquerque e Barbosa lideraram mais de 500 voltas, mas se engana quem pensa que o final da corrida foi totalmente tranquilo.

“Nosso carro começou a aquecer e, se a corrida tivesse mais voltas, não sei se conseguiríamos vencer. Nas últimas cinco horas da prova, fomos administrando a vantagem que tínhamos, controlando os tempos de volta, forçando só o necessário para nos mantermos na frente. Tanto que a vantagem que chegou a ser de três voltas ficou em pouco mais de um minuto no final”, contou Fittipaldi.

“Estou sem palavras para definir o que estou sentindo. Estou extremamente feliz. Vencer pela terceira vez em Daytona, a prova mais difícil do ano é muito gratificante. Gostaria de parabenizar toda a equipe Action Express, todos da Cadillac, porque eles souberam contornar todas as dificuldades que tivemos da melhor forma possível”, completou o tetracampeão do Campeonato Norte-americano de Endurance (2014, 15, 16 e 17) e bicampeão do IMSA (2014 e 15).

Christian, de belíssima carreira no automobilismo, passagem pela F1, Indy e Le Mans, faz um ano de transição. Não pilotará em todas as provas; nas outras, cumprirá a função de chefe de equipe da Action Express. A equipe conquistou a dobradinha em Daytona com o segundo lugar de outro brasileiro, Felipe Nasr, que dividiu o carro com Mike Conway, Eric Curran e Stuart Middleton. O braziliense, que anotou o recorde da pista nos treinos livres, ficou com aquele gosto amargo por não ter vencido, especialmente depois de ter liderado uma parte da prova.

“Eu odeio terminar em segundo, mas as corridas são assim. Sinto que tínhamos o carro para brigar por vitória desde o começo, e ganhamos posições desde a largada”, afirmou o ex-piloto da Sauber ao site Motorsport.com. “Era um carro forte suficiente para brigar por vitória. Estava nas nossas mãos”, conclui Nasr, que disputará a temporada completa do IMSA em 2018.

Bruno Senna quase foi ao pódio com o quarto lugar no geral e entre os protótipos. Resultado que deixa o sobrinho de Ayrton contente para a temporada. O piloto estreou na United Autosports ao lado do escocês Paul di Resta, do suíço Hugo de Sadeleer e local Will Owen e ao longo de grande parte da prova esteve próximo de conquistar um lugar no pódio para se juntar aos dominantes pilotos da Cadillac. No entanto, a quebra da embreagem já nas horas finais comprometeu irremediavelmente o ritmo do Ligier JS P217-Gibson da equipe anglo-americana.

Confirmado pela United Autosports nas demais etapas da série – 12 Horas de Sebring, 6 Horas de Watkins Glen e Petit Le Mans – ao lado de Phil Hanson, que em Daytona dividiu o outro carro do time com Fernando Alonso e Lando Norris, Bruno admitiu que o desfecho, de qualquer forma, acabou sendo satisfatório. “Foi uma corrida muito difícil. Raramente uma corrida aqui nos Estados Unidos tem tão poucas interrupções. Foram pouco mais de 20 voltas com bandeira amarela para um total de mais de 800. Sem tempo de descanso, os carros e os pilotos sofreram bastante com o desgaste. Infelizmente, perdemos cinco minutos nos boxes tentando e não conseguindo resolver o problema da embreagem. Foi uma pena, porque tínhamos mesmo chances de brigar pelo pódio”, comentou.

Apesar da frustração final, Bruno lembrou que a classificação na tradicional prova de resistência acabou sendo um resultado positivo. “Considerando onde começamos desde os treinos iniciais, onde nosso ritmo esteve longe do ideal, só posso estar satisfeito em começar minhas corridas com a United Autosports tão bem assim”, avaliou. Bruno agora já está com as atenções voltadas para as 12 Horas de Sebring, em março. “Vamos ter muito trabalho para ajeitar o carro para uma pista bastante ondulada. Mas já conheço o traçado e acredito que essa experiência para ajudar tanto a equipe no acerto quanto na adaptação do meu novo companheiro”.

Na classe GTLM, o campeão da Stock Car Daniel Serra, de Ferrari, não completou a prova. Augusto Farfus, estreando o BMW M8 GTE com o qual disputará o Mundial de Endurance, foi o sétimo colocado. Pipo Derani, vencedor da prova no ano passado pela classe LMP2, não concluiu a corrida.

Estreando em provas de endurance, Fernando Alonso sofreu com os problemas de freio em seu Ligier para terminar em 38º no geral, 90 voltas atrás dos vencedores, correndo também pela United Autosports junto de Lando Norris e Phil Hanson. O espanhol admitiu que Daytona lhe serviu de preparação e aprendizado para a disputa das 24 Horas de Le Mans.

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