Técnico vice-campeão brasileiro aponta caminhos para o basquete feminino

Para Roberto Dornelas, o Brasil precisa investir mais na base, mudar calendário e encontrar um estilo de jogo

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Sob o comando do técnico Roberto Dornelas, a equipe da Uninassau (Pernambuco) desembarcou em Goiânia como favorita nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), após ganhar um bronze e chegar a quatro finais das seis que disputou na Liga de Basquete Feminino (LBF), vencendo uma e ficando com três pratas, a última no ano passado. Logo na estreia, a equipe venceu a Uninassau de Alagoas por 103 a 30 e segue atropelando as adversárias rumo à final que será disputada no próximo sábado, 28. Como a conquista do título parece inevitável, o técnico coloca as meninas para jogar já pensando na próxima temporada.

"Estamos com um grupo mais jovem, perdemos cinco titulares. Vivemos um momento complicado economicamente, o que dificulta obter patrocínios altos. Mas a meta é chegar em mais uma final", disse o treinador, antes de sugerir mudanças para que o basquete feminino não repita fiascos como ficar de fora do último mundial e, quem sabe, possa recuperar seus tempos áureos de Hortência, Paula e  Janeth. 

"Precisamos investir na base. Funciona como uma rede, se começar a resolver o problema lá embaixo, os resultados aparecem em cima", defendeu Dornelas, que também falou sobre o período em que ocorre as competições. "Discordo desse calendário de janeiro a junho. Na minha opinião, o campeonato deveria começar em novembro e terminar no final de abril. Porque nesse período brigamos menos com o futebol e isso facilita conseguir patrocínio e ter mais visibilidade".

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Outro problema enfrentando pelas jogadoras é o número reduzido de equipes. A liga que já teve mais de dez times, atualmente, possui apenas seis, o que enfraquece a competição. Além disso, Dornelas defende um aumento de competições internacionais, para que as atletas mais jovens ganhem experiência. "Os próximos anos serão de investimento. Precisamos fazer a meninada nova jogar. Não adianta colocá-las na seleção brasileira e depois cobrar resultado".

A falta de um estilo de jogo da seleção brasileira é outra falha apontada por Dornelas. "Qual a nossa característica? É a criatividade? Então vamos investir nisso. Precisamos ter uma leitura melhor de jogo. Se isso tudo que eu falei for feito, daqui dois ciclos olímpicos teremos resultados", encerrou. 

 

Experiência em quadra

Após levantar três taças pela equipe de Americana, a piracicabana Gil Justino voou para Pernambuco para trazer experiência para o time da Uninassau, formado por atletas em sua maioria com menos de 24 anos. Com discurso alinhando ao do seu comandante, a pivô de 35 anos também defende o investimento na base. "Antigamente, o trabalho que era feito na base era muito diferente. E as jogadores eram mais comprometidas, porque sempre tinha alguém querendo o nosso lugar. Os outros países como Argentina e o Canadá renovaram e o Brasil ficou para trás".   

A atleta torce para que a liga ganhe novas equipes, para que o campeonato se fortaleça e, consequentemente, a seleção brasileira chegue mais preparada nas competições. "Quanto mais equipes melhor. Seria ótimo ter mais times tanto para a LBF, quanto para o basquete brasileiro. Tem muitas meninas que estão paradas ou "escondidas", ressaltou Justino.

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