Ironia? Por 'mensagem de esperança', Farc planejam ter equipe de futebol

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia assinaram um acordo de paz com o governo colombiano no último dia 24 de novembro

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As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) planejam ter uma equipe de futebol que lhes permita enviar uma mensagem de esperança e reintegração a quem vive nos bairros populares e áreas marginais do país, segundo disse nesta sexta-feira o líder guerrilheiro Félix Antonio Muñoz, conhecido como "Pastor Alape".

"Temos sonhos e queremos continuar sonhando, queremos abraçar o país para continuar sonhando: é a única maneira como podemos enterrar os ódios e os rancores", disse "Alape" em uma conversa com jornalistas.

No entanto, o guerrilheiro explicou que a situação é muito complexa, já que as normas da Primeira Divisão do Futebol Colombiano (Dimayor) exigem que os clubes tenham para o próximo ano uma equipe masculina, outra feminina e várias em categorias inferiores para poder competir entre os profissionais. Além disso, é necessário que disponham de um estádio que reúna as condições de segurança exigidas internacionalmente.

Isso representa no total, segundo os cálculos de "Alape", cerca de US$ 10 milhões, que o guerrilheiro assegurou que as Farc não têm.

Sobre o estádio, apontou que o único local que poderiam utilizar é o Estádio Alberto Buitrago Hoyos, situado em Florencia, capital do departamento de Caquetá. "Vamos ver como fazemos para poder levar a mensagem à juventude. Imagine nos bairros populares, ou nas áreas marginais, como podemos reintegrar esse país que está marginalizado há tanto tempo", considerou.

Por sua vez, o ministro do Interior da Colômbia, Guillermo Rivera, comentou que, se as Farc desejam ter uma equipe profissional, deverão fazer uma solicitação à Dimayor depois que terminarem seu processo de desmobilização.

"Depois de 15 de agosto (...) as Farc poderão começar a interagir no interior da sociedade colombiana e lhes cabem as regras previstas pelo Estado colombiano para os assuntos públicos, assim como por parte das organizações privadas como a Dimayor", disse Rivera a jornalistas.

Nesse sentido, apontou que, depois que terminarem sua reincorporação à vida civil, a decisão de aceitar a equipe de futebol das Farc corresponderá à Dimayor, e não ao governo colombiano.

As Farc assinaram um acordo de paz com o governo colombiano no último dia 24 de novembro e, atualmente, cerca de seus 7.000 guerrilheiros se encontram reunidos em 26 zonas de vereda transitórias de normalização (ZVTN) dentro do seu processo de desmobilização.

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