Mulheres de Varginha realizam ato contra contratação de Bruno

Evento criado no Facebook possui mais de 100 pessoas confirmadas

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A chegada do goleiro Bruno ao Boa Esporte está gerando críticas e repercutindo no mundo todo. Se para quem está fora, já acha um absurdo, imagine para os habitantes de Varginha, cidade sede do clube? Se sentindo ameaçadas, as mulheres locais combinaram um ato para a tarde desta terça-feira para protestar contra a contratação.

"Criticamos a contratação que tem em vista obter uma maior visibilidade ao Clube, por causa de sua vida e carreira no Flamengo. Nós recusamos a ideia da vida de mulheres serem banalizadas novamente em nome do dinheiro. A vida de Eliza foi tirada por causa da recusa à pensão e agora é usada e diminuída novamente em torno dessa questão", dizia um comunidado das organizadoras do evento criado no Facebook, que, até o fechamento desta nota, já tinha mais de 100 pessoas confirmadas.

Confira o comunicado na íntegra:

O goleiro Bruno de Souza foi contratado pelo time de Varginha, o BOA Esporte Clube. O goleiro foi responsável pela morte e desaparecimento do corpo da mãe de seu filho, Eliza Samúdio. O assassinato foi motivado pela recusa de Bruno em pagar a pensão.

Criticamos a contratação que tem em vista obter uma maior visibilidade ao Clube, por causa de sua vida e carreira no Flamengo. Nós recusamos a ideia da vida de mulheres serem banalizadas novamente em nome do dinheiro. A vida de Eliza foi tirada por causa da recusa à pensão e agora é usada e diminuída novamente em torno dessa questão.

Todos os ex-presos deveriam ser ressocializados e ter direito a um trabalho. Isso não acontece na realidade, nós sabemos a estigmatização que os presos sofrem. A questão aqui não é ressocialização, é de como a vida de uma mulher sempre é deixado de lado em comparação com outras questões. De como a vida de uma mulher pode ser ridicularizada e menosprezada quando um homem tem alcance midiático, quando é famoso. 

Convocamos o ato contra a contratação, contra a facilidade que é para um time e seus patrocinadores terem suas imagens ligadas ao feminícidio. Um feminicida não pode continuar tendo uma vida aclamada pela mídia. Bruno deixou de ser apenas um goleiro, sua imagem e sua fama carregam a prontidão de se aliviar violência de gênero, a facilidade de esquercer a vida de uma mulher em detrimento do trabalho em um esporte reconhecido. A carreira de um jogador de futebol não pode ser mais importante que a vida de uma mulher!

Nós, da Frente Feminista Popular de Varginha, convidamos todas mulheres, varginhenses ou não, para participar do ato em frente ao treino do Clube.

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