FERA ENTREVISTA: Eder Reis, a voz 'Gigante' nas transmissões esportivas

Aos 38 anos, narrador é um dos destaques do canal FOX Sports

Relacionadas

Os dois metros de altura e os mais de 100 kg peso lhe garatem o apelido de "Gigante" entre os colegas de FOX Sports. Mas não é apenas no tamanho que Eder Reis se destaca. A voz possante é a marca registrada do canal em transmissões de futebol e de lutas. Aos 38 anos, bacharel em Direito e natural de Mogi das Cruzes, Eder falou sobre a carreira de narrador esportivo.

Quando você pensou em ser narrador?

A ideia começou a surgir quando ainda era bem garoto, com 12 anos, narrava as peladas no colégio como forma de brincar com os amigos, na época tinha o personagem João Canabrava do Tom Cavalcante que fazia muito sucesso com narrações extremamente rápidas, para brincar com isso, tentava imitá-lo, mas paralelo a isso escutava muito rádio AM, ouvia muito futebol, achava aquilo fantástico, com dezessete anos já nutria este sonho, mas não pensava em como alcançá-lo, se fosse para traçar um comparativo, enquanto muitos sonhavam em ser engenheiro, médico, advogado etc, eu queria mesmo ser narrador esportivo, só não sabia como, pois para as profissões anteriores, existe o curso superior e pra ser narrador?

Você se espelhou em alguém?

Sim, minha referência como narrador é o mestre José Silvério, acompanho o trabalho de muitos narradores, tanto no rádio quanto na TV, mas ninguém me chamou tanta a atenção como Silvério, trato este gênio como o Pelé da narração esportiva, este cara mudou a minha vida, acompanho o Zé Silvério desde 1990, quando eu ainda era bem garoto, é um admiração imensa, foi o trabalho dele que me fez despertar a vontade de ser narrador esportivo.

Quais suas características?

Hoje em dia primo pela simplicidade, sou um cara extrovertido, tento colocar isso no meu trabalho, dar a minha cara, tento fazer de uma transmissão algo em que o telespectador se sinta à vontade, tenho ciência da responsabilidade que tenho, existe um cuidado muito grande para que o jeito simples, às vezes, descontraído de narrar e informar não desrespeite o profissional que está ali jogando ou lutando. Tenho um linguagem simples, sempre tive esta preocupação, principalmente, quando comecei a narrar MMA, que ainda não era um esporte popular, o objetivo era deixar tudo muito claro para quem não tinha conhecimento da modalidade, sem parecer piegas para os que já acompanhavam o esporte rotineiramente. Trabalho com lazer, entretenimento e além de levar isso ao público, eu também me divirto fazendo. É um prazer muito grande poder trabalhar com o que desde criança acompanho, o esporte sempre fez parte do meu dia a dia.

Qual seu sonho como narrador?

Ainda espero narrar uma super luta de boxe ou uma grande noitada de MMA no Madison Square Garden. Já realizei muita coisa legal nesta minha trajetória como narrador, especialmente nestes quase seis anos de FOX SPORTS, só tenho a agradecer todas as oportunidades que tive e como sonho ou objetivo quero continuar narrando por muitos anos, pois se manter nesta profissão já é algo louvável e de se orgulhar.

Qual seu momento mais emocionante?

Tive momentos marcantes. Narrar o UFC Rio em 2011 foi algo sensacional, foi um grande marco na minha carreira, uma grande virada, assim como narrar uma Copa do Mundo e no ano passado os Jogos Olímpicos me trouxeram uma experiência ímpar, em especial o judô, estive todos os dias na arena, estudei muito pra poder narrar os jogos e não tive como não chorar ao narrar o ouro da Rafaela Silva, que conquista brilhante. São momentos especiais pra mim e certamente vão vir outros.

O que você gostaria de fazer como narrador que ainda não fez?

Espero narrar uma edição do Bellator MMA in loco no Brasil, tomara que isso ocorra já no próximo ano. Ainda tenho muita coisa pra fazer como narrador esportivo, por exemplo, nunca narrei uma partida de vôlei na tv .

Qual um conselho para quem quer ser narrador?

Condição obrigatória, ser doente por esportes e, principalmente, observar os colegas que estão na área, eles nos ensinam muito, claro que a prática é fundamental, mas tão importante quanto a prática é se escutar e se questionar o tempo todo.

Como você lida com as redes sociais?

A mídia social além de ser uma grande fonte de informação é uma excepcional ferramenta de aproximação com o público. O “x"da questão é saber explorar bem este mecanismo. Procuro não entrar em bola dividida com quem está do outro lado, tenho em mente que meu trabalho é público, muitos vão elogiar e muitos vão detonar e, de repente, numa crítica pode estar a chave para que consiga melhorar. Não sou dos mais participativos no twitter, por exemplo, mas entendo que é uma grande ferramenta, assim como Facebook e Instagram, que ajudam muito na divulgação de um trabalho. Mídia social hoje tem um papel muito importante em tudo e é como cartão de crédito, pode te trazer bons benefícios mas é uma arma perigosa na mão de quem não sabe usar, uma frase mal colocada pode custar muito caro, por isso é necessário ter muita atenção.

MAIS SOBRE:

Fera Entrevista Fox Sports MMA [artes marciais mistas] Bellator
Comentários