Foto de premiação no skate provoca debate sobre machismo no esporte

Atletas defendem igualdade no pagamento e organização do Oi Park Jam se explica sobre diferença nos valores

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A foto da premiação do Oi Park Jam, que foi disputado no fim de semana em Santa Catarina, causou um grande rebuliço nas redes sociais por causa da diferença que foi paga para o campeão no masculino e a vencedora no feminino. Pedro Barros faturou R$ 17 mil pela primeira colocação enquanto Yndiara Asp ganhou R$ 5 mil pelo título entre as mulheres.

 

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Logo as redes sociais foram tomadas por mensagens que culpavam a organização do evento de machismo. Até atletas famosas, como Leticia Bufoni, usou o debate em seu Instagram e posou com uma camiseta com a inscrição "igualdade". Karen Jonz também se manifestou. "Nós, mulheres, treinamos tanto quanto os homens, vivemos isso com tanta intensidade e paixão quanto os homens, mas enfrentamos, além das dificuldade inerentes da vida da atleta, os desafios a mais que temos apenas pelo fato de sermos mulheres", disse.

"Quando recebemos a notícia de que o feminino seria incluído num campeonato importante, com cobertura enorme da grande mídia, vimos essa oportunidade como uma grande conquista para a nossa categoria. No entanto, o mundo inteiro questionou o fato da premiação dos homens ser três vezes maior que a das mulheres. O mundo está em constante evolução, e nunca antes se fez tão necessário que paradigmas ultrapassados sejam derrubados. E o skate, mesmo sendo um esporte do futuro, ainda reproduz alguns conceitos que não têm mais lugar na versão 2018 do nosso planeta", continuou.

A organização do evento ponderou em nota que a diferença na premiação se deu porque o evento masculino tinha mais competidores e era mais disputado por causa da qualidade internacional dos atletas. De qualquer maneira, é um debate que vem sendo feito nos esportes e muitas premiações estão sendo repensadas para garantir a igualdade nos pagamentos.

 

 

Quando recebemos a notícia de que o feminino seria incluído num campeonato importante, com cobertura enorme da grande mídia, vimos essa oportunidade como uma grande conquista para a nossa categoria. No entanto, o mundo inteiro questionou o fato da premiação dos homens ser três vezes maior que a das mulheres. Passei boa parte da minha carreira participando de competições masculinas. Já fui barrada em competições masculinas porque não entendiam como é que uma menina poderia querer competir contra aqueles caras. Mas eu queria. E a única alternativa que eu tinha era me meter nessas competições, mesmo que o lugar destinado a mulheres nesses eventos fosse o da exceção à regra. Estive à frente do skate feminino, lutando - às vezes quase que literalmente - para que as meninas ao menos tivessem um espaço na cena, e falhei inúmeras vezes. No entanto, esse esforço - que não foi só meu, mas de muita gente que eu nem poderia enumerar aqui - acabou trazendo para o skate feminino, aos poucos, a relevância que ele merece. Hoje o skate está em todo lugar - é o segundo esporte mais praticado no Brasil - e as meninas são uma parcela muito grande desse público, que consome, se inspira, movimenta e vive o skate. A notoriedade do nosso estilo de vida nunca esteve tão em alta como agora que o skate virou modalidade olímpica, e isso trouxe muita atenção de um público ainda maior. O mundo está em constante evolução, e nunca antes se fez tão necessário que paradigmas ultrapassados sejam derrubados. E o skate, mesmo sendo um esporte do futuro, ainda reproduz alguns conceitos que não têm mais lugar na versão 2018 do nosso planeta. Nós, mulheres, treinamos tanto quanto os homens, vivemos isso com tanta intensidade e paixão quanto os homens, mas enfrentamos, além das dificuldade inerentes da vida da atleta, os desafios a mais que temos apenas pelo fato de sermos mulheres. Embora a gente já tenha conseguido avançar bastante na nossa luta, o espaço que nos é dado na mídia ainda é menor, sem falar na nossa participação nas competições - quando ela existe - que é sempre uma incerteza. É esse ecossistema de desigualdade que faz com que muita gente do nosso meio ache que ‘tudo bem’ uma prem

Uma publicação compartilhada por Karen Jonz (@karenjonz) em

 

Confira a nota da organização do Oi Park Jam

"Temos recebido alguns questionamentos sobre a diferença de premiação do Oi Park Jam, realizado no último domingo, e entendemos que este é um debate importante para o desenvolvimento do skate no universo feminino.

O número de praticantes de skate ainda é diferente entre os gêneros e o Oi Park Jam reflete essa realidade, com 23 homens (22 profissionais e entre os mais bem colocados no ranking mundial e 1 amador) e apenas 10 mulheres (em sua maioria amadoras) competindo. As premiações levaram em conta, portanto, a participação qualitativa e quantitativa de skatistas profissionais, que por consequência leva a um maior grau de dificuldade para se chegar às primeiras colocações.

Para mudar esse quadro, nos esforçamos para garantir que as mulheres tivessem a oportunidade, inédita, de competirem num evento de skate com visibilidade nacional e relevância internacional.

O Oi Park Jam tem como premissa estimular a popularização do skate e o aumento da participação das mulheres nessa cena, historicamente masculina. Temos ainda a intenção de, através do estímulo ao skate feminino, quebrar mais barreiras e preconceitos para, em um futuro próximo, conquistar o objetivo de ter o mesmo número de homens e mulheres praticantes, profissionais e amadores, o que levará, naturalmente, à equivalência nas premiações. Estamos comprometidos com o debate sobre igualdade de gênero e vamos continuar nos esforçando para a inserção da mulher no skate em igualdade de gênero".

 

 

Texto por: @karenjonz Quando recebemos a notícia de que o feminino seria incluído num campeonato importante, com cobertura enorme da grande mídia, vimos essa oportunidade como uma grande conquista para a nossa categoria. No entanto, o mundo inteiro questionou o fato da premiação dos homens ser três vezes maior que a das mulheres. Passei boa parte da minha carreira participando de competições masculinas. Já fui barrada em competições masculinas porque não entendiam como é que uma menina poderia querer competir contra aqueles caras. Mas eu queria. E a única alternativa que eu tinha era me meter nessas competições, mesmo que o lugar destinado a mulheres nesses eventos fosse o da exceção à regra. Estive à frente do skate feminino, lutando - às vezes quase que literalmente - para que as meninas ao menos tivessem um espaço na cena, e falhei inúmeras vezes. No entanto, esse esforço - que não foi só meu, mas de muita gente que eu nem poderia enumerar aqui - acabou trazendo para o skate feminino, aos poucos, a relevância que ele merece. Hoje o skate está em todo lugar - é o segundo esporte mais praticado no Brasil - e as meninas são uma parcela muito grande desse público, que consome, se inspira, movimenta e vive o skate. A notoriedade do nosso estilo de vida nunca esteve tão em alta como agora que o skate virou modalidade olímpica, e isso trouxe muita atenção de um público ainda maior. O mundo está em constante evolução, e nunca antes se fez tão necessário que paradigmas ultrapassados sejam derrubados. E o skate, mesmo sendo um esporte do futuro, ainda reproduz alguns conceitos que não têm mais lugar na versão 2018 do nosso planeta. Nós, mulheres, treinamos tanto quanto os homens, vivemos isso com tanta intensidade e paixão quanto os homens, mas enfrentamos, além das dificuldade inerentes da vida da atleta, os desafios a mais que temos apenas pelo fato de sermos mulheres. Embora a gente já tenha conseguido avançar bastante na nossa luta, o espaço que nos é dado na mídia ainda é menor, sem falar na nossa participação nas competições - quando ela existe - que é sempre uma incerteza. É esse ecossistema de desigualdade que faz com que muita gente do nosso meio ache...

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