FERA DO PASSADO: Ana Moser, líder de uma geração do vôlei brasileiro

Líder do time que ganhou a primeira medalha olímpica, o bronze em Atlanta-96, Ana se dedica hoje a projetos sociais de esporte e educação

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A coroação de mais um ciclo de trabalho bem sucedido no vôlei feminino brasileiro, e a formação de uma nova geração de possíveis campeãs olímpicas: as meninas comandadas por José Roberto Guimarães acabam de conquistar o Grand Prix pela 12ª vez, na China, 

O título das jogadoras que superaram a Itália na final por 3 sets a 2 foi, talvez, um dos mais surpreendentes dos últimos anos, por conta justamente da renovação quase completa do time, que não contou com as estrelas que fizeram do País uma superpotência nesse esporte nos últimos anos, de conquistas e medalhas olímpicas.

Semente que começou a ser plantada nos anos 90, quando o esporte começou a se popularizar com as conquistas das seleções masculina e feminina - nesta última, uma geração que contou com jogadoras como Ida, Leila, Marcia Fu, Virna, Fernanda Venturini e uma das maiores atacantes de todos os tempos: Ana Moser.  

Afastada das quadras desde a aposentadoria em 1999 e hoje com 48 anos de idade, Ana, catarinense de Blumenau, não abandonou o esporte. Ela se dedica, desde 2001, para levar o esporte e a educação juntos a crianças e adolescentes menos favorecidos, e também para formar profissionais capacitados na área sócio-esportiva, cuidando do Instituto Esporte e Educação (IEE), idealizado por ela, e que leva projetos de vôlei para as escolas de São Paulo, entre outras iniciativas.

Mais um dos desafios da medalhista olímpica e mundial, cuja carreira foi marcada por altos e baixos e cirurgias, que a ameaçaram deixar fora das quadras justamente numa disputa que renderia uma inédita medalha olímpica de bronze, nos Jogos de Atlanta, em 1996.

Um ano antes, Ana sofreu uma grave contusão no joelho e os prognósticos eram sombrios: ela ficaria de fora da disputa da Olimpíada. Contrariando todos os prognósticos, ela conseguiu se recuperar a tempo - revelaria, mais tarde, que buscou ajuda espiritual para conseguir o feito - e conduziu o time para a primeira medalha olímpica do vôlei feminino brasileiro, na disputa do bronze contra a Rússia.

Foi na semifinal contra Cuba, partida perdida pelo Brasil, após uma briga e uma bolada na cabeça sofrida por Ana que explodiu de vez a rivalidade contras as cubanas no vôlei feminino, com várias jogadoras se estranhando embaixo da rede. A briga entre Ana, que exigiu respeito das adversárias na comemoração de pontos, e a cubana Mireya Luis,

O jogo foi tão marcante que inspirou um documentário, Pátria, de Fábio Meira, que faz parte da memória do esporte olímpico brasileiro. 

Em 16 anos de carreira, Ana Moser, pontuadora nata, ótima no saque e dona de um temperamento forte - chegou a liderar alguns boicotes contra treinadores da seleção - construiu uma das mais vitoriosas trajetórias do vôlei brasileiro.

Apresentava números impressionantes em quadra: chegava a atacar a 3,1 metros e bloqueava a 2,8 metros. Chegava a sacar a 105 km/h, marca de atletas masculinos da modalidade.

Convocada pela primeira vez para a seleção juvenil em 1984, elas foi campeã mundial juvenil, bicampeã do Grand Prix, somou seis títulos brasileiros e oito títulos paulistas. Disputou três Olimpíadas. "Não tem conquista que se compare com o bronze na Olimpíada. Nem mesmo o ouro do Mundial. É um evento diferenciado", disse ao Estadão, no ano passado.

Ela vestiu a camisa da seleção principal a partir de 1987. Em 1999, durante a disputa da Copa do Mundo no Japão, mesmo sofrendo com contusões, conseguiu contribuir para classificar o Brasil para os jogos de Sydney.

Foi nesse período que confessou à companheira de seleção, Leila, que iria se aposentar para se dedicar a um livro sobre sua carreira e a comentar o vôlei em canais de TV.

Abaixo, as imagens da última partida, disputada contra um time de estrelas:

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