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Momentos marcantes: Ginobili, maior jogador sul-americano, se aposenta

Depois de brilhantes 23 anos dedicados ao basquete, Manu Ginobili, o maior jogador sul-americano de todos os tempos, vai se aposentar. Sejamos francos: já era hora. Ginobili não tinha mais nada para disputar que já não tivesse conquistado. Está para nascer alguém que tenha uma passagem tão diversa, global e vencedora no basquete.

O anuncio foi feito em sua conta no twitter e descreve perfeitamente o que foi a passagem de Manu pelo esporte: “foi uma jornada fabulosa, muito além de qualquer tipo de sonho”.

Gino é de uma geração diferente da atual, que mal sai das fraldas e já está com a carreira encomendada para a NBA. É de um tempo em que era preciso provar para o mundo inteiro seu talento antes de tentar a vida nos EUA. E fez isso de forma magistral.

Foi jovem para a Italia, em uma época que o país da bota ainda organizava uma das ligas mais fortes de basquete da Europa, e ganhou tudo muito rápido. Foi campeão nacional, europeu e agraciado com o título de MVP de tudo que jogava. Em dois anos, foi escolhido pelo San Antonio Spurs na 56ª posição do draft, campeão da NBA naquele ano. Voando na Europa, preferiu ficar na Itália por mais duas temporadas.

Em 2003, aceitou assinar com o Spurs e formou o trio mais vitorioso da história da NBA – em números absolutos, nenhuma trinca venceu tantas partidas na história do basquete americano quanto Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili. Venceu quatro títulos em 15 temporadas. Colocou, junto dos seus colegas estrelares, o San Antonio Spurs no rol de maiores franquias da história da NBA. Foi duas vezes eleito para o All-Star Game e foi duas vezes nomeado como All-NBA.

E apesar de ter feito essa porrada de coisa, a sua maior contribuição para o basquete, que o diferencia de uma série de outros espetaculares jogadores, foi ter sido o grande líder do único time capaz de roubar uma medalha de ouro nas olimpíadas desde que os EUA passaram a jogar com suas estrelas da NBA no campeonato. Ao lado de Luis Scola, Andres Nocioni e grande elenco, Manu bateu os americanos em uma semifinal épica e sagrou-se campeão contra a Itália, colocando seu país no improvável topo do pódio.

A conquista é descomunal. Fez com que os americanos passassem, dali em diante, a ver os jogos olímpicos como um torneio mais desafiador do que apenas uma viagem de verão. Foi o que motivou que de 2008 em diante, os EUA passassem a mandar novamente o que tinham de melhor à disposição para o campeonato.

Também abriu os olhos dos times americanos para a América do Sul. Sete dos seus colegas argentinos na conquista do ouro acabaram jogando na NBA. Dali em diante, uma dúzia de brasileiros também teve a chance, de uma forma ou de outra, de jogar na liga mais importante do mundo. Manu foi o retrato de uma NBA que começou a se globalizar na década de 80 e, no final dos anos 90, passou a dar mais oportunidades para os grandes talentos internacionais. Com competência de sobra, o argentino soube aproveitar o momento.

É difícil dizer se houve algum outro jogador por aqui, brasileiro, argentino ou seja lá o que for, melhor do que ele, já que as gerações são incomparáveis, mas certamente não houve um jogador tão impactante, importante e vencedor nascido na América do Sul quanto ele.

Momentos marcantes

O ala/armador precisou ser submetido em fevereireo de 2016 a uma cirurgia para corrigir uma lesão no testículo. A contusão aconteceu na vitória do San Antonio Spurs por 110 a 97 sobre o New Orleans Pelicans. Já na reta final da partida, com dois minutos para o fim do quarto período, Ginóbili marcava Ryan Anderson quando o ala/pivô do Pelicans acertou-lhe uma joelhada nos testículos.

O jogador levou a torcida texana ao delírio quando pegou, no ar, um morcego que dava rasantes na quadra. Ao recolher o animal no chão, o argentino foi ovacionado, enquanto os alto falantes do ginásio já tocavam o tema do herói Batman.

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