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O que aconteceu com o Blazers para ser eliminado assim?

(Scott Threlkeld/AP)

O Portland Trail Blazers foi o primeiro eliminado dos playoffs deste ano. O time foi varrido pelo New Orleans Pelicans. O time de Anthony Davis não teve a menor cerimônia em passar o trator por cima do rival, que tinha a vantagem do mando de quadra ao início da série. Não fez a menor diferença: o Pelicans venceu logo de cara as duas primeiras partidas em Portland e depois emplacou mais dois atropelos nos seus domínios.

O que aconteceu com o Blazers? O time vinha da melhor temporada regular desde que perdeu Lamarcus Aldridge e apostou todo seu talento na dupla Damian Lillard e CJ McCollum, mas foi eliminado para o sexto colocado, que chegou aos playoffs sem uma das suas principais estrelas. Era de se esperar, se não a classificação, pelo menos alguma resistência, certo?

Pois bem, de fato uma varrida logo na estreia definitivamente não estava entre os cenários mais prováveis, mas é preciso entender o contexto da disputa para ver que a desclassificação não chega a ser desastrosa – a forma como aconteceu, sim, mas o fato em si, não.

Para começo de conversa, a conferência Oeste está muito equilibrada. Exceto Houston Rockets e Golden State Warriors, todos os outros times estão meio que no mesmo nível. As últimas rodadas da temporada comprovam isso. Todo mundo se enfrentou e quase oito times, incluindo aí Los Angeles Clippers e Denver Nuggets, tinham chances de ficar em qualquer posição do terceiro ao décimo. Logo, o terceiro, neste caso o Blazers, não era tão melhor que o sexto, o Pelicans.

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Uma vez que a vantagem técnica de um time sobre o outro era quase nula, o que definiria a vantagem de uma equipe sobre a outra seria o ajuste tático e o alinhamento dos matchups. Aí sim que o New Orleans deu um baile no Portland. A dupla de armadores do Oregon não conseguiu jogar. Rajon Rondo e Jrue Holiday neutralizaram McCollum e Lillard.

Daí fica difícil avaliar o quanto do confronto entre os dois backcourts foi definido pela habilidade do técnico Alvin Gentry – o que seria bem curioso, já que ele começou a temporada sendo a maior aposta para ser demitido no decorrer do campeonato -, pelo talento de Jrue e Rajon ou pela falta de inspiração de Damian e CJ.

Sem ter convicção nenhuma de qual dos fatores foi mais importante, eu apelo e chuto que foram os três. Lillard, que fechou a temporada como um dos azarões para o título de MVP, teve a pior performance ofensiva entre os grandes jogadores dos playoffs. Foi o cara que mais errou arremessos – chutou 71 bolas e acertou apenas 25. É o segundo jogador com pior saldo de pontos quando esteve em quadra, com -42. Definitivamente deveria ter feito mais pelo seu time – capacidade que já cansou de provar que tem, inclusive nos playoffs, momento em que ele geralmente se sai bem melhor que a média. McCollum foi consideravelmente melhor que ele no ataque, mas não foi capaz de sequer atrapalhar a performance de Jrue Holiday, que teve os melhores jogos da sua vida nos playoffs.

Mas, sobretudo, do outro lado tinha um time que se superou. Anthony Davis esteve imparável. Holiday, como dito acima, jogou como nunca. Rondo ativou seu conhecido ‘modo playoffs’. Nikola Mirotic superou a defesa de Al-Farouq Aminu e foi a válvula de escape do time. As estrelas periféricas do Pelicans acabaram correspondendo muito mais do que os coadjuvantes do Blazers. Todos os confrontos individuais penderam para o time de New Orleans.

Vale lembrar que o início de temporada do Portland não foi dos melhores. Lillard e McCollum demoraram algumas semanas para engrenar. Jusuf Nurkic não começou também da forma que terminou a temporada anterior. O time era bom, mas viveu todos os tipos de fases ao longo da disputa. Ao contrário do que parecia quando a temporada acabou, o time não teve seus melhores momentos no mata-mata.

E acaba sendo natural perder quando se joga assim contra um time que esteve mais inspirado do que nunca.

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