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Automobilismo para entusiastas

30 anos do tri de Piquet. Por que ele não é mencionado na lista dos maiores?

E lá se vão 30 anos desde aquela madrugada de 1987 (Foto: Fórmula 1)

Na esteira da conquista do tetracampeonato da Fórmula 1 por Lewis Hamilton, as coincidências colocam uma data muito oportuna para uma discussão que tem se intensificado ultimamente. No dia 30 de outubro completaram-se 30 anos da conquista do tricampeonato mundial por Nelson Piquet Souto Maior.

Foi no Grande Prêmio do Japão, que retornava ao calendário após uma ausência de dez anos, que Piquet pôde confirmar o tri com antecipação não só em relação à etapa final da temporada – o GP da Austrália, em Adelaide, fechava o campeonato -, mas também com relação à própria corrida em Suzuka.

Isso porque Nigel Mansell deu uma estampada monumental na saída dos ‘esses’ e, com dores fortíssimas nas costas, foi impedido de correr. Assim, Nelson não precisaria sequer largar para confirmar o tri e ser o primeiro brasileiro a conquistar três títulos mundiais no automobilismo.

O quarto título de Hamilton, no último domingo, reascendeu a velha discussão sobre os melhores de todos os tempos. Enquadraram-no entre os três maiores da história. Michael Schumacher, Juan Manuel Fangio, Ayrton Senna, Jim Clark, Jackie Stewart… A lista do top-10 de qualquer fã de corridas não escapa de ter estes seis. Eis que começou-se a perguntar: seria Lewis Hamilton um dos maiores de todos os tempos?

Minha modesta resposta é: devagar com o andor, camarada.

Hamilton entra nesta lista, sim, entre os dez. Mas, dos pilotos atuais, ainda temos que colocar Fernando Alonso à sua frente. O britânico foi mestre em lidar com a pressão, um sinal de sua maturidade, que em outras ocasiões acabou não aparecendo. Na minha opinião, o espanhol, apesar de ter metade dos títulos, é mais completo.

E aí entra a injustiça. Por que Nelson Piquet não figuraria nesta lista? Foi o único a vencer três títulos correndo com três motores diferentes (Ford e BMW na Brabham em 1981 e 1983, respectivamente, e Honda na Williams em 1987). Sua temporada foi espetacular em termos de obstáculos a serem percorridos.

Primeiro, ter de “engambelar” a própria equipe, que claramente favorecia Mansell, inglês, como a Williams. O ano anterior ensinou isso da pior maneira, quando os dois se digladiavam e no final Alain Prost levou o título pela McLaren. Segundo, a panca fortíssima na Tamburello, em San Marino, que o deixou fora de combate por um GP. O acidente – até então o mais forte já sofrido pelo brasileiro (antes de Indianápolis). A batida deixou sequelas: Piquet diz que passou a dormir pouco, perder um pouco dos reflexos e perdeu o senso de profundidade da visão.

Mesmo assim, Nelson fez quatro pole positions, contra oito de Mansell; venceu três corridas contra seis do inglês. Foi mais consistente, mesmo tendo de superar a própria equipe. O brasileiro teve três abandonos, incluindo o GP de San Marino, em que não largou; e mais um GP em que não pontuou, justamente no Japão, quando o título já estava decidido a seu favor. Mansell abandonou quatro provas, não pontuou em uma, e não largou no Japão e na Austrália.

De elevadíssimo nível técnico, e uma condução mais fria do que agressiva – tirando a épica ultrapassagem sobre Ayrton Senna na Hungria, por fora, no ano anterior -, Piquet raras vezes é lembrado no panteão dos maiores da história, uma grande injustiça justamente com quem tem Maior até no sobrenome.

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