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Automobilismo para entusiastas

A Fórmula E começou equilibrada, cheia de emoções e de polêmicas

A temporada 2017-18 da Fórmula E começou no último final de semana com rodada dupla em Hong Kong. O grande ponto de interrogação antes da bandeira verde era o equilíbrio de forças. Até então dominada por Renault com alguns brilhos da Audi – mais até graças ao talento de Lucas di Grassi, que descontou 43 pontos de vantagem para se tornar campeão na última prova – e também da Mahindra, o quarto campeonato da história da categoria dos carros elétricos tinha muito a responder.

Os testes em Valência, no mês passado, pouco revelaram. A série corre em circuitos de rua, e os treinos coletivos aconteceram em um autódromo. Aí, até saber que equipe trabalhou ou não de acordo com as configurações do traçado, é outra história. Por isso, o melhor termômetro seria mesmo a abertura da temporada, com duas corridas.

Os treinos livres foram de grande equilíbrio, e como alguns dos personagens destacando que mais de cinco equipes teriam condições de lutar pela vitória. O pole position da primeira corrida foi o francês ex-F1 Jean-Eric Vergne, da Techeetah, equipe-cliente da Renault. Detalhe: Vergne cruzou a linha de chegada com o carro virado ao contrário. A linha de chegada fica logo na saída da veloz curva final, e o piloto rodou sem comprometer seu tempo.

Na corrida, o poderoso powertrain da Techeetah não conseguiu superar o DS Virgin do britânico Sam Bird, que mesmo tendo quase atropelado um integrante de sua equipe durante o pit stop e cumprindo um drive-through por isso, conseguiu se manter à frente – em parte graças à disputa entre Nick Heidfeld e Vergne pelo segundo lugar.

Entre os brasileiros, Nelsinho Piquet fez excelente estreia pela Jaguar e terminou na quarta posição. Atual campeão, Lucas di Grassi ficou fora dos pontos depois que um toque com o companheiro de equipe Daniel Abt entortou sua suspensão. Bird, vencedor da primeira corrida, ainda levou outra punição com a perda de dez posições no grid, novamente em conta do incidente dos boxes.

Mesmo assim, no domingo os treinos revelaram o cenário imprevisível, e o sueco Felix Rosenqvist, da Mahindra, cravou a pole position. Tudo pronto para a largada, carros no grid, e… E… E…

E…

Nada de as luzes vermelhas se acenderem. Problema no semáforo! Sim, isso foi em Hong Kong, não em São Paulo – a capital paulista, aliás, não vai mais receber a etapa da categoria em março do próximo ano, como informamos aqui.

A solução foi colocar no safety car na pista e fazer a largada em movimento. Para o pole position, uma grande vantagem. Só que…

O sueco rodou na freada para a primeira curva da corrida, desencadeando uma baita confusão para quem vinha atrás. Ele voltou na 11a colocação e saiu feito um doido, passando um a um na pista. Edoardo Mortara, estreante da equipe Venturi, liderava com alguma margem para Daniel Abt, da Audi. Mortara, reconhecidamente um excelente piloto em circuitos de rua – venceu em Macau nada menos do que três vezes – cometeu um pecado mortal a uma volta e meia do fim: rodou na freada de uma curva e caiu para terceiro. Na cerimônia do pódio, estava mortificado.

Abt, que venceu pela primeira vez na categoria, fez a festa justamente no dia de seu aniversário de 25 anos, mostrando sua evolução desde a primeira temporada na Fórmula E. Di Grassi sofreu com um problema na bateria de seu carro que o fez perder um minuto parado na pista, e não pontuou. Piquet também não foi bem e terminou fora da zona de pontos.

Dali, o revés. Três horas depois, Abt foi desclassificado e teve sua vitória retirada. Os comissários justificaram a exclusão pelo fato de o carro do alemão ter partes instaladas que não condiziam com o código de barras das peças declaradas no passaporte técnico do carro. Explicando em miúdos: todas as peças dos carros são declaradas em uma espécie de manual de cada carro, tudo registrado com código de barras. A equipe pode ter optado, talvez por necessidade, talvez por opção de acerto, em trocar algumas peças, mas não avisou aos comissários ou fez a alteração no passaporte do carro. E aí, amigo, regra é regra. O chefe da Audi, Allan McNish, justificou-se dizendo que não houve qualquer vantagem técnica porque todas as peças são homologadas. Entretanto, aceitou a punição e assim a Audi não irá recorrer.

Rosenqvist, que correu feito louco para cruzar a linha de chegada em segundo, foi declarado o vencedor. O sueco é bom: campeão da F3 Europeia em 2014, derrotou ninguém menos do que Esteban Ocon e Max Verstappen, dupla de muito destaque na F1.

Quanto aos brasileiros, pode-se dizer que Nelsinho Piquet fez uma estreia honesta pela Jaguar. A equipe inicia seu segundo ano na categoria – foi a última na classificação no ano passado – e Piquet é peça fundamental no desenvolvimento do time. O quarto lugar conquistado no sábado dá sinais de positividade, mas o filho de Nelsão terá de trabalhar bastante para colher os resultados esperados.

Já Lucas di Grassi teve um final de semana cheio de problemas e saiu de Hong Kong no zero. Contudo, sabe que tem material em mãos para lutar por vitórias e o título. Mas terá muito mais adversários do que simplesmente Sèbastien Buemi, da Renault – outro também que teve duas corridas apagadíssimas.

A próxima etapa da Fórmula E acontece em Marrakesh no dia 13 de janeiro.

 

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