FERA DO PASSADO: Hortência, uma das maiores jogadoras que o Brasil já teve

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o Fera conta a história da ex-jogadora de basquete

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Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, nesta quinta-feira (08), o Fera conta a história de Hortência, uma das maiores jogadoras de basquete que o Brasil já teve.

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Hortência ficou conhecida como "Rainha" sendo ao lado de "Magic" Paula o diferencial dentro de quadra de uma geração vitoriosa. Antes de começar no esporte que a consagrou, treinou futsal e handebol até receber uma bola de basquete da professora Mitsuko, que administrava a aula de educação física em seu colégio. Percebeu que a jovem tinha jeito para o esporte. Em 1973 foi treinar no São Caetano. 

Com dificuldades financeiras pensou em largar a atividade, mas foi incentivada pelo técnico Valdyr Pagan a não desistir da carreira e a levou para o programa "Adote um atleta" que permitiu a Hortência a continuar treinando. Foi o mesmo treinador que em 1978 a levou para o Higienópolis Catanduva, onde assinou seu primeiro contrato.

A jogadora foi convocada pela seleção brasileira pela primeira vez em 1976, para o Pan Juvenil em Nevada. Seria vestindo a camisa de seu País que conquistaria prestígio nacional e internacional. Seu primeiro título foi o Sul-americano na Bolívia em 1978. No começo de sua carreira, participou ainda do Mundial na Coreia (9º lugar) em 1979 e do Pan-Americano de Porto Rico em 1979 (4º lugar).

Marcou a década de 80 como o momento em que sua carreira deslancharia. Pelo clube conquistou diversos títulos como os Jogos Regionais (80 e 81) e Campeonato Paulista (80 e 81) antes de se transferir para o Prudentina em 82. Dois anos depois conquistava a Taça Brasil pelo time. Na seleção foi medalha de bronze no Pan de Caracas em 83 e prata em 87. Obteve também o campeonato Sul-americano em 81,86 e 89. Ficou faltando um bom desempenho no Mundial. Em 83 obteve o quinto lugar, em 86 ficou apenas na 11ª colocação.

Em 1985 mudou de clube novamente e foi para o Minercal. Foi tetracampeã paulista e bicampeão da Taça Brasil. Dois anos depois bateu o recorde mundial de cestas, com 124 pontos em uma só partida. 

Foi para o Constecca/Sedox em 1991. No mesmo ano conquistou um de seus maiores títulos no Pan-americano de Havana, sendo medalha de ouro com a seleção brasileira, vencendo as americanas, que estavam invictas há mais de 30 jogos oficiais, e as cubanas, donas da casa. Também conquistou o Mundial de clubes e mais um Campeonato Paulista.

Com um dos melhores times femininos de basquete do mundo, Hortência conseguiu classificar o País para sua primeira Olimpíada no esporte, em Barcelona no ano seguinte. Também transferiu-se para o Leite Moça. Passou pouco tempo no clube mudando para o Nossa Caixa/Nosso Banco/Ponte Preta no ano seguinte.

Conquistou mais dois Mundial de Clubes (1993 e 1994). Com o Brasil levantou o Mundial na Austrália, vencendo novamente os Estados Unidos, invicto desde a última derrota para o Brasil no Pan de três anos antes. Abandonou o basquete logo depois. Sempre declarou querer ser mãe, sonho que realizou em 1996.

Atendendo a pedidos voltou para a seleção alguns meses depois do nascimento de João Victor, para a disputa da Olimpíada de Atlanta. Na ocasião, mostrou que não havia perdido a majestade que a consagrou outrora e levou o Brasil a inédita medalha de prata.

Passou a dedicar sua vida a massificar o esporte. Se tornou empresária e passou a atuar em clubes ajudando-os a crescer. Dirigiu o Seara em 1995 e 1996. Foi para o Data Control em 1997 (participando da conquista do Mundial de Clubes). Em 1998 esteve no Fluminense e em 1999 no Paraná Basquete.

Sua carreira foi reconhecida por grandes entidades do esporte. Em 2002 entrou para o Hall da Fama do basquete feminino em Knoxville, Tenessee. Três anos depois passou a figurar definitivamente no Hall of Fame no Naismith Memorial. Em 2007 com o lançamento da lista da FIBA, foi uma das três brasileiras a figurar na escolha. Atualmente dedica-se a palestras motivacionais sobre sua carreira. /Com informações do Acervo Estadão.

 

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