25 anos depois: o que Baggio já falou sobre o pênalti na Copa de 94?

Ex-jogador não tem dúvidas sobre qual momento da carreira no futebol apagaria se pudesse

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Um dos melhores jogadores do mundo, batedor oficial e com a responsabilidade de cobrar o último pênalti: Roberto Baggio tinha um grande peso nas costas ao cobrar o pênalti que acabou definindo a final da Copa do Mundo de 1994 entre Brasil e Itália. Como os brasileiros sabem, a bola foi longe do gol e a seleção verde e amarela foi tetracampeã.

Neste dia 17 de julho, completam-se 25 anos da conquista, que é sempre ótima de ser relembrada - principalmente se for na épica narração de Galvão Bueno (você pode ver o vídeo das cobranças no final da matéria). Mas também vale a pena ouvir o outro lado da história, o dos que perderam, e quem melhor do que Baggio para resumir o sentimento dos italianos?

Baggio admitiu que o pênalti ainda o assombrava quando lançou sua autobiografia, em 2015. Até aquele momento, a Copa havia sido de superação para ele, que fez uma primeira fase ruim, mas depois empatou contra a Nigéria no último minuto nas oitavas de final. Depois fez os gols da vitória italiana contra Espanha, nas quartas, e Bulgária, na semi. Mas veio o pênalti, relatado no livro que escreveu. Veja um pequeno trecho.

"Quanto ao pênalti, eu não quero me gabar, mas só errei alguns na minha carreira. E eles foram porque o goleiro chutou, não porque eu errei o alvo. Só para que você entenda que não há explicação fácil para o que aconteceu em Pasadena. Quando eu fui para a marca da cal, eu estava bem lúcido, o máximo que alguém poderia estar nessa situação. Eu sabia que Taffarel sempre pulava para um canto, então tentei chutar no meio, a meia altura, para ele não poder pegar com os pés. Foi uma decisão inteligente porque Taffarel foi para a esquerda e nunca teria defendido o chute do jeito que eu havia planejado.

Infelizmente, e eu não sei como, a bola subiu uns 3m e foi por cima do travessão. E sobre bater o pênalti, eu era o batedor oficial. Eu nunca fugiria das minhas responsabilidades. Só aqueles que têm coragem de bater um pênalti erram. Eu fracassei dessa vez. Ponto. E me afetou por anos. Foi o pior momento da minha carreira. Eu ainda sonho com isso. Se eu pudesse apagar um momento da minha carreira, seria esse.

O que muitos esquecem é que mesmo se eu tivesse feito o gol, o Brasil ainda poderia ter vencido porque antes de mim Baresi e Massaro havia perdido seus pênaltis. Isso faz parte do jogo. Eu perdi o último pênalti, ‘cancelando’ assim os de Baresi e Massaro. Eles tinham que escolher uma imagem da final e escolheram o meu erro. Para variar. Eles queriam um bode expiatório e me escolheram, esquecendo que sem mim eles jamais chegariam à final. Depois do meu erro, eu fiquei perplexo e esse olhar permaneceu em mim por muito tempo. Eu não conseguia aceitar como tinha acabado. Eu me tranquei no quarto."

Em entrevistas, o ex-atacante afirmou que, naquele momento, sentiu vontade de morrer, e pensou que chutou para o longe o seu sonho e o de milhões de italianos. Enquanto isso, os brasileiros comemoravam ouvindo "É tetra".

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