A triste história do repórter acusado de estar bêbado no vivo da Libertadores

Jornalista espanhol Ángel Sastre ficou sequestrado por 299 dias na Síria

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O jornalista Ángel Sastre estava em Buenos Aires participando da cobertura da final da Copa Libertadores pelo canal Cuatro. Além do jogo não ter ocorrido, um outro fato da transmissão repercutiu entre veículos internacionais: as condições do repórter espanhol.

"Jornalista embriagado faz ao vivo surreal para TV espanhola", manchetou um periódico português. "Bêbado ao vivo: o caos da Copa Libertadores se estende até o Cuatro", era o título de outra matéria, dessa vez em um portal espanhol. 

Um colega de profissão do repórter, Antonio Pampliega, precisou se pronunciar para afastar os boatos de que ele estaria embriagado durante a entrada ao vivo. Ambos os espanhóis ficaram sequestrados por 299 dias na Síria, até serem resgatados em maio de 2016. 

"Eu li os comentários de centenas de pessoas, obviamente prejudiciais, eu vejo o escárnio público ao qual Ángel está sendo submetido, e eu tenho vergonha, e estou muito, muito triste", escreveu. "Ángel não está bem. É óbvio. Mas nenhum de nós está", afirmou.

"Depois de ter sobrevivido a um sequestro, acreditamos que somos invencíveis. Nós superamos um fodido sequestro. Nós podemos tudo. Acreditamos que somos os reis do mundo... ", explica antes de acrescentar: "Depois do sequestro, também acelerei e perdi o controle da minha vida. Fiz centenas de coisas das quais me arrependerei pelo resto da minha vida", constata. 

Junto com o também jornalista José Manuel Lopez, os dois desapareceram no dia 12 de julho de 2015, perto da cidade de Aleppo, no norte da Síria. A região estava sob o controle de uma ramificação da Al-Qaeda conhecida como Frente Nusra.

Sem conseguir articular uma frase com nexo, Ángel desvia a atenção por diversas vezes em sua entrada ao vivo. Perante os torcedores do River Plate que o rodeavam, o jornalista encerrou brevemente sua entrada no programa. "Vamos esperar porque, sinceramente, gostaria muito de explicar a vocês o que está acontecendo aqui, mas não posso fazer isso", declarou.

Em janeiro deste ano, o jornalista falou para a mesma emissora sobre o sequestro. "Era um medo contínuo de ser assassinado", comentou na ocasião. 

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