Brasileiro que foi alvo de declarações racistas quer continuar na seleção russa

Ari teve sua presença na equipe de Stanislav Cherchesov questionada por Pavel Pogrebniak, atacante do FK Ural

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Ari joga na Rússia desde 2010, se naturalizou russo em julho de 2018 e passou a ser convocado pelo técnico Stanislav Cherchesov para a seleção do país. Entretanto, o atacante cearense ainda não foi aceito por todos: ele foi vítima de declarações racistas de Pavel Pogrebniak, atacante de 35 anos, que disse ser estranho ver pessoas de cor no time nacional e questionou porque deram um passaporte ao brasileiro. Ainda assim, Ari diz que não se abalou e pretende continuar jogando pela Rússia, em entrevista exclusiva ao FERA.

"Minha ideia é continuar defendendo a seleção russa. Conquistei a convocação com muito trabalho, então continuo aqui à disposição do treinador caso queira contar comigo mais vezes", declara o atleta do Krasnodar.

Ari conta que nunca conversou com Pogrebniak, nem quando foram adversários, e que tentaria ignorá-lo. "Sinceramente, um cara desses nem merece atenção. É triste pensar que nos dias de hoje ainda exista algo assim. E é só mais um caso entre tantos que já tive que lidar. Passei por tantas dificuldades já que isso nem me preocupa, apenas me fortalece. Foi uma declaração lamentável vinda de um jogador de futebol, num momento como esse, em que temos que conviver com tantas atrocidades por causa de intolerância", afirma.

O jogador brasileiro revela ter recebido muito apoio e, por isso, consegue manter cabeça tranquila. Já Pogrebniak pode ser suspenso pela Federação Russa.

Ari lembra, porém, que não foi a primeira vez que sofreu racismo. "Já sofri racismo antes sim na Rússia, como outros jogadores negros que atuaram aqui também. O Roberto Carlos e o Hulk por exemplo. Mas isso foi há alguns anos, hoje em dia não vemos mais isso. É muito difícil acontecer, até porque teve bastante campanha de conscientização sobre isso antes da Copa", relata.

Ari também se manifestou sobre o caso de Serginho, jogador brasileiro que se retirou de campo após ouvir insultos racistas de torcedores adversários na Bolívia. "É muito triste uma hostilização como aquela. Muitas pessoas ainda precisam mudar sua maneira de enxergar o mundo. O esporte é um instrumento poderoso contra as mais variadas formas de discriminação, mas todos devemos fazer nosso papel, passando por dirigentes, atletas e torcedores", acredita.

Ari não foi convocado para os próximos jogos da seleção russa, contra Bélgica e Cazaquistão pelas eliminatórias da Eurocopa, por estar lesionado. Todavia, o jogador de 33 anos ainda aparenta estar nos planos do técnico Cherchesov para a equipe.

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