Chamado de neonazista, ucraniano cancela contrato horas depois do acerto

Apoiador do exército ucraniano, Roman Zozulya foi acusado de ter ligações com grupo paramilitar nazista

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No último dia da janela de transferências europeia, a negociação de Roman Zozulya do Real Bétis ao Rayo Vallecano se transformou em uma polêmica de cunho político na Espanha. Isto porque a torcida do segundo time rejeitou a contratação do ucraniano devido às supostas afiliações paramilitares dele em seu país de origem. 

O caso começou no ano passado, quando Zozulya foi contratado pelo Bétis do Dnipro. Na sua chegada a Sevilha, o jogador vestia uma camisa com uma símbolo ucraniano, que foi confundido por um jornalista com o emblema do grupo paramilitar Pravy Sektor, de extrema-direita e neonazista. À época, jogador e clube pediram que o jornal retirasse a notícia do ar, já que se tratava de uma informação incorreta. 

A polêmica voltou à tona nesta terça-feira, quando Zozulya foi enviado ao Rayo Vallecano. Em seu primeiro dia no novo clube, membros de uma torcida organizada estenderam uma faixa de protesto: "Vallecas não é lugar para nazistas". A polícia local teve que ser acionada para acalmar os ânimos dos ultras, segundo o jornal espanhol AS.

Zozulya, então, soltou uma nota tentando explicar seu trabalho com o exército ucraniano, o que não teve efeito na torcida do Rayo, que manteve o argumento de que a contratação do jogador é uma afronta aos valores defendidos pelos aficionados, declaradamente esquerdistas. Com a situação sem solução, o atacante conversou com o seu agente e pediu que o acordo fosse desfeito, como citado por matéria do jornal El País.

Com o fim da negociação, Zozulya não poderá atuar por outra equipe até o fim desta temporada. Isto porque o Rayo Vallecano foi seu terceiro clube em 2016/17, depois de defender também o Dnipro e o Real Bétis. 

APOIO MILITAR

Zozulya é, na verdade, apoiador do exército ucraniano e, durante seu período no Dnipro, se tornou símbolo da resistência local na guerra contra os russos. Pelo seu trabalho, que inclui doações e publicidade às causas nacionalistas, já ganhou diversas medalhas do governo ucraniano, como explicado pelo El Mundo

Em comunicado coletivo, os jogadores do Real Bétis declararam apoio a Zozulya e negaram que ele tenha qualquer ligação com grupos paramilitares ou nazistas. "Queremos condenar o tratamento ao qual ele foi submetido e cuja origem não deixa de ser uma notícia falsa sobre o significado da camiseta com a qual aterrissou em Sevilha". 

Nesta quinta-feira, a Embaixada da Ucrânia na Espanha também se manifestou, negando qualquer ligação com grupos paramilitares ou neonazistas do atacante, em publicação do jornal Marca. Pelo contrário, exaltou as ações em prol do exército no conflito local. 

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