Comentarista critica Fifa em casos de drogas ilícitas: 'Tratam como marginais'

Para Paulo Cesar Vasconcellos, entidade máxima deveria repensar política contra drogas ilegais

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Flagrado com benzoilecgonina, metebólito encontrado na cocaína, o atacante peruano Paolo Guerrero, do Flamengo, foi suspenso por um ano pela Fifa, em decisão divulgada nesta sexta-feira, 8. A decisão da máxima entidade do futebol, que tira o jogador inclusive da Copa do Mundo da Rússia, entre junho e julho de 2018, foi criticada por comentaristas no Brasil. 

Um deles foi Paulo Cesar Vasconcellos, do SporTV, que se manifestou contra a segregação de atletas punidos por exames positivos para drogas consideradas ilícitas juridicamente. Para ele, em casos em que são vistos rastros de maconha ou cocaína, antes do atleta receber uma punição, deveira ser acompanhado e tratado. 

 

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"O que discuto, e parece absolutamente equivocado, é uma legislação tão severa para uso de cocaína e maconha. Não são drogas que se utilizadas por algum atleta vão melhorar performance, pelo contrário. Acho que essa questão é muito equivocadamente tratada pela Fifa", opinou PCV, no programa "Redação SporTV", na manhã desta sexta, 7. 

"Partir do princípio de que o atleta que usou cocaína ou maconha tem que ser severamente punido, como se isso fosse exemplar, você não está ajudando em nada. O atleta, rigorosamente, não está recebendo ajuda, ele é tratado como um marginal, um ser de quinta categoria", completou. 

Sydney Garambone, outro presente à bancada, contrapôs Vasconcellos lembrando de ações sociais promovidas pela Fifa, como campanhas contra o racismo e promoção da igualdade e do fair play. 

 

 

"Entendo a lógica da Fifa. Além de ponderar que é uma substância estimulante, ela está muito preocupada com a questão social. Então, ela usa a sua entidade para a questão da luta contra o racismo, o fair play, e considera que seus membros não podem ser esses 'vilões'. Ela força a barra não necessariamente pela 'ajuda no desempenho'", disse Garambone. 

Vasconcellos, no entanto, manteve a postura, sustentando que em casos de drogas ilícitas, o atleta não pode ser segregado pela entidade. “Eu entendo, só que alguém que faz, que prega campanhas contra o racismo, que estimula a prática do futebol feminino, que quer fazer uma política de inclusão, tem que mudar o seu olhar em relação a essa questão especificamente. Não estou dizendo que é o caso do Guerrero, não, estou dizendo só o que se alega aí."

"O consumidor de cocaína, o usuário de maconha não é uma pessoa para ser excluída, pelo contrário, tem que incluir mais em qualquer tipo de ação, assim como o alcoólatra, não tem que banir, dizer: ‘Você não serve para conviver com a gente’. Se pratico a política de inclusão, eu tenho que chamar esse dependente”, concluiu. 

Devido à legalização para uso recreativo e medicinal da maconha em diversos países, a Agência Mundial Anti-Doping (Wada, na sigla em inglês) anunciou, em outubro deste ano, que o canabidiol deixará de ser considerada substância ilegal a partir de 2018.

 

 

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