De craque na Itália à volta para a Vila Cruzeiro: entenda ascensão e queda de Adriano

Jogador brilhou na seleção brasileira, mas fama e morte do pai levaram ao abuso de álcool e problemas de disciplina

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Adriano, o Imperador, teve uma ascensão meteórica: aos 17 anos, saiu da Vila Cruzeiro, favela do bairro da Penha, no Rio de Janeiro, para ser campeão mundial pela seleção brasileira sub-17. Jogou pela equipe brasileira principal, participou da Copa do Mundo de 2006, foi para a Itália jogar pela Inter de Milão, pelo Parma e pela Fiorentina. Hoje, no entanto, o jogador está fora de campo e longe de corresponder às expectativas dos fãs. Ele está sem clube desde maio de 2016 e vive novamente na Vila Cruzeiro.

Adriano já mostrava sinais de não saber lidar com a fama desde a mudança para a Itália. "Consegui ter um nome muito rápido, fui para a Itália muito novo. Isso me transformou numa pessoa diferente. Diferente do Adriano da favela, que não tinha nome, que tinha que ralar... Eu conquistei muito rápido as coisas para um menino que não tem nada depois tem o mundo... É difícil controlar", afirmou ao Globo Esporte, em 2012. 

Mas o declínio na carreira começou aos poucos, em 2004, com a morte do pai, Almir Leite Ribeiro, apenas um mês após a conquista da Copa América. A figura paterna era sua principal companhia, seu norte e responsável por colocá-los nos eixos. Adriano virou alcóolatra e passou a chegar atrasado nos treinos, ficar acima do peso e reduzir o desempenho em jogos. 

"Só me sentia feliz bebendo. Eram festas todas as noites. Bebia o que passava pela frente: vinho, uísque, vodca, cerveja... muita cerveja. A situação ficou fora de controle. Eu só conseguia dormir bebendo. Eu chegava bêbado para os treinos da manhã. Com medo de perder a hora dormindo, eu ia bêbado mesmo", disse Adriano, em 2009, sobre os atrasos nos treinos na Inter de Milão, em entrevista a Cosme Rímoli, do R7.

Até 2006, no entanto, o jogador rendia bem em campo. Ainda tinha excelente forma física e era titular na seleção brasileira. Mas o psicológico já influenciava. O jogador se envolveu em uma série de polêmicas, inclusive em casos de polícia. O primeiro, em 2006: dois dias antes de embarcar para a Copa na Alemanha, Adriano foi festejar com os amigos da Vila Cruzeiro na boate Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, no Rio. A turma, conforme pessoas próximas ao craque, tinha alguns foragidos da Justiça. Na saída da festa, o grupo foi abordado por uma viatura da polícia e conduzido para outro local. Um dos amigos do Imperador tentou fugir, foi baleado e morreu. 

Com a derrota na Copa na Alemanha, tudo piorou. Em outubro de 2006, a Inter deu "férias" ao jogador, para ele espairar a cabeça. O "descanso" foi flagrado várias vezes, com imagens do jogador em bailes funks no Rio de Janeiro. Logo depois disso, foi emprestado ao São Paulo, onde foi bem. No Flamengo, em 2009, foi a grande estrela do título brasileiro de 2009.

Em 2010, o jogador precisou prestar esclarecimentos à polícia por suposta ligação com o traficante Mica, descoberta após a compra de uma moto no nome da mãe do traficante. No mesmo ano, ele postou uma foto com um amigo no qual segura um fuzil - e precisou explicar à polícia se a arma era falsa ou verdadeira. Em outra foto, faz com as mãos as letas "C" e "V", siglas do Comando Vermelho. Para a Copa do Mundo de 2010, não foi convocado pelo técnico Dunga.

Em 2011, Adriano estava de volta ao Brasil e era visto como uma promessa no Corinthians. Mas as polêmicas não terminaram. Nesse ano, uma mulher foi atingida por um tiro dentro do carro dele. As versões do caso são conflitantes - primeiro foi dito que Adriano fez o disparo. Depois, que a responsável teria sido a própria mulher. A parceria com o Corinthians não deu certo e o craque foi demitido por "justa causa". 

Já no Flamengo, ele gerou polêmica devido às faltas aos treinos sem justificativa. Passou a usar uma frase que dizia muito de sua carreira: "Só faço mal a mim mesmo". Em resposta, o diretor de futebol do clube, Zinho, lamentou: "Ele é que tem que querer, mas o Flamengo não está medindo esforços para a recuperação. Como ele falou, a falta causa um problema para ele, mas respinga em outras pessoas. Desde que fez o contrato, afeta o clube também. Meu sentimento é de tristeza", disse, em entrevista ao jornal O Globo.

O antigo empresário de Adriano, Gilmar Rinaldi, fez de tudo para ajudar o craque - inclusive tentar interná-lo em uma clínica de reabilitação. Mas o Imperador não quis. 

Em fevereiro de 2017, Adriano faz 35 anos. Mas ele não atua profissionalmente desde maio de 2016, quando teve uma curta passagem pelo Miami United, da quarta divisão dos Estados Unidos. 

Hoje, o jogador vive novamente na Vila Cruzeiro, onde cresceu. Sua última aparição na mídia foi no dia 1º de janeiro, quando um vídeo, publicado nas primeiras horas de 2017, passou a circular nas rede sociais. MC Smith, autor dos funks Vida Bandida e Vida Bandida 2 faz "um anúncio": a volta de Adriano para o futebol. Nas imagens, pede que o Imperador faça a famosa pose, na qual mostra os músculos. Adriano aparece no vídeo, sem camisa e recusa o pedido, em tom de brincadeira: "Tô gordo". 

Em declaração ao site do Globo Esporte, o empresário de Adriano, Luca, afirmou que vai conversar ainda nesta semana com o jogador para decidirem sobre o futuro do craque. "Ele sempre recebe propostas, mas isso depende dele. Vamos conversar quando eu voltar para tomarmos uma decisão", afirmou.

Léo Moura, amigo pessoal de Adriano, afirmou em entrevista ao Esporte Interativo que a trajetória do Imperador é fruto de escolha própria. "Ele está vivendo da forma que escolheu, ele é feliz da forma que é. É um desperdício, na minha opinião. Poderia estar jogando em clube grande. Defensor passava mal quando ele jogava. É um cara diferenciado. E além de tudo é excepcional", declarou. "Eu acredito (que ele volte a jogar). Eu sinto que ele sente falta, mas precisa da força de vontade dentro dele para voltar a jogar", afirmou.

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