Em texto emocionante, Lukaku revela pobreza na infância e preconceito

Centroavante já tem quatro gols marcados e está na liderança da artilharia junto de Cristiano Ronaldo

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Romelu Lukaku foi o cara do jogo na vitória belga diante do Panamá por 3 a 0. Hoje, contra a Tunísia, o centroavante também já balançou as redes duas vezes e comprovou seu status de maior artilheiro da seleção belga. Na última segunda-feira, o jogador escreveu um texto no The Players Tribune entitulado 'Eu tenho algumas coisas a dizer'.

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O texto começa contando da lembrança clara em sua memória do momento em que ele percebeu que estavam quebrados financeiramente. Ele tinha apenas seis anos e percebeu no rosto de sua mãe. Em vez do pão e leite de todos os dias, aquele almoço foi diferente: "Ela estava misturando água no leite".

"Eu sabia que estávamos lutando. Mas quando ela estava misturando água com o leite, percebi que estava acabado, você sabe o que eu quero dizer? Essa era a nossa vida". Seu pai era jogador profissional, mas já no fim da carreira o dinheiro acabou.

Lukaku conta outras coisas que mudaram: "A TV a cabo. Sem mais futebol. Sem poder ver o jogo do dia. Nenhum sinal". O jogador também revela que ficaram semanas sem eletricidade, sem poder tomar um banho quente. "Minha mãe esquentava uma chaleira no fogão e ficava espirrando água morna em cima da minha cabeça com uma xícara", relembra.

Depois de passar por isso, o Belgo prometeu para ele mesmo que iria fazer de tudo para mudar essas condições. "Não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito", conta. "As pessoas no futebol adoram falar sobre a força mental. Bem, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, dizendo nossas orações, e pensando, acreditando, sabendo... isso vai acontecer".

Depois, ao chegar da escola um dia e se deparar com sua mãe chorando, Lukaku contou para sua mãe seus planos. Aos seis anos, ele explicou: "Vou jogar futebol no Anderlecht e isso vai acontecer em breve. Nós ficaremos bem. Você não terá que se preocupar mais". 

Quando começou jogar, Lukaku conta que as desconfianças começaram a acontecer. Aos 11 anos, jogando pelo time de juniores do Lièrse, uns pais de seus colegas de time pediram para ver seu RG. Não acreditavam na sua idade pelo seu porte físico. Ele, sozinho, teve que se defender. Mostrou o documento. 

"Eu me lembro do sangue correndo por mim ... e eu pensei: "Eu vou matar seu filho ainda mais agora. Eu já ia matá-lo, mas agora vou destruí-lo. Você vai levá-lo para casa chorando". Ele joga com raiva - e admite isso. Raiva porque ratos corriam em seu apartamento quando criança. Raiva porque ele não podia assistir a Champions League. Raiva pelo jeito que os pais de outras crianças olhavam para ele na infância. 

"Eu não sei porque algumas pessoas em meu próprio país querem me ver fracassar", conta. "Quando eu estava sem jogar no Chelsea, eles riram de mim. Quando fui emprestado ao West Bromiwch, eles riram de mim. Mas está ok. Essas pessoas não estavam comigo quando nós derramávamos água no nosso cereal”, declarou.

"Eu queria ser o melhor jogador de futebol da história da Bélgica. Esse era meu objetivo. Não é bom. Não é ótimo. O melhor". Aos 12 anos, ele marcou 76 gols em 34 jogos. Ligou para seu avô materno para contar a novidade. Em vez dele querer ouvir sobre o futebol, como usual, ele pediu um favor: "Você pode me prometer? Cuide da minha filha. Apenas cuide dela por mim, OK?". Quatro dias depois ele veio a falecer. 

"Eu só queria que ele estivesse por perto para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais um telefonema com ele, e eu poderia avisá-lo... Viu? Eu te disse. Sua filha está bem. Não há mais ratos no apartamento. Não dormimos mais no chão. Não há mais estresse. Estamos bem agora. Estamos bem. Eles não precisam verificar meu RG mais. Eles sabem o nosso nome", finaliza. 

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