Flamengo nega que fez homenagem a ex-remador do clube morto na ditadura

Stuart Angel, guerrilheiro, foi homenageado por grupo de sócios e torcedores do clube neste domingo

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Ontem, no dia 31 de março, sócios e torcedores do Flamengo fizeram uma homenagem a Stuart Angel, que foi remador do clube e depois se tornou guerrilheiro do grupo MR-8, que lutava contra a ditadura. Capturado pelos agentes do regime militar, Angel foi torturado e morto em 1971. O Flamengo desmentiu envolvimento na homenagem em uma nota oficial, contrariando o que havia sido publicado pelo jornal O Globo.

Em seu site oficial, o clube pregou pela neutralidade política. "Em relação à nota publicada nesta segunda-feira na coluna Ancelmo Gois - do jornal O Globo - o Clube de Regatas do Flamengo esclarece que, por ser uma verdadeira Nação, formada por mais de 42 milhões de torcedores das mais diversas crenças e opiniões, não se posiciona sobre assuntos políticos. A homenagem citada na nota foi realizada diretamente por um grupo de sócios e torcedores do Clube, sem nenhuma participação da instituição - algo que, inclusive, é estatutariamente vedado", diz a nota.

A postagem dividiu opiniões de torcedores nas redes sociais. Alguns aplaudiram a postura do clube, enquanto outros lamentaram o não-posicionamento contra o regime de exceção. Angel foi homenageado pelo clube em 2010, na gestão de Patrícia Amorim, e tem uma placa com seu nome na sede do remo no clube. No Twitter, David Butter, membro do grupo 'Flamengo da Gente', que realizou a homenagem, justificou a realização do ato. 

Membro de uma guerrilha que fazia luta armada contra o regime, Stuart Angel foi torturado e morto em 14 de junho de 1971, no Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa). Sua mãe, Zuzu Angel, uma estilista famosa, cobrou do Estado brasileiro uma posição sobre o desaparecimento do filho por anos, e acabou morta em um acidente de carro em 1976. A Comissão da Verdade revelou o envolvimento de agentes da ditadura também na morte de Zuzu.

Entre os times da série A, apenas Corinthians, Vasco e Bahia se manifestaram em favor da democracia no dia 31 de março, que marca 55 anos do golpe militar que instalou a ditadura no Brasil, que viria a perdurar 21 anos. Na Argentina, na semana passada, a maior parte dos grandes clubes do país se manifestou em repúdio ao regime militar que governou o país entre 1976 e 1983.

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