Gabriel Jesus explica 'Alô, mãe!', exalta jeito de Neymar e lembra Guardiola

Em texto no 'The Players' Tribune', atacante recorda principais fatos da carreira e trajetória do Jardim Peri ao Manchester City

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A cada gol que marca, Gabriel Jesus estica o mindinho e o polegar para fazer o sinal do telefone e ligar para sua mãe. Em texto publicado nesta segunda-feira, 18, no The Players' Tribune, portal que conta com relatos escritos por atletas, o brasileiro explicou o sentido da celebração. 

"Quando eu pego o telefone é em homenagem à minha mãe e à nossa luta. Mas também é uma homenagem aos meus amigos e à minha família, e também ao técnico Mamede e a todas as pessoas no Brasil que me ajudaram a chegar até aqui", escreveu Jesus, lembrando do técnico do Pequeninos, time em que começou a jogar quando criança. 

 

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Sobre sua mãe, Gabriel Jesus destaca a esperança depositada por ela no filho, que tinha apenas "uma bola e muita imaginação". "Eu devo tudo para minha mãe principalmente nessa fase da minha vida. Porque muitos garotos no Brasil, quando são de origem mais humilde, têm de começar a trabalhar quando fazem 14 anos de idade para ajudar a família. Eles não podem jogar futebol, ir para a escola e trabalhar ao mesmo tempo. Então, o sonho deles morre nesse momento", conta.

"Mas minha mãe... cara, ela acreditou em mim. Seja qual for a razão, ela acreditou. Ela falou para eu continuar, não importando o que eu tivesse que fazer."

 

 

TÉCNICO DE INFÂNCIA

Outro personagem marcante citado por Jesus é seu primeiro treinador, José Francisco Mamede, do Pequeninos. "Ele tinha um velho fusca branco - devia ser dos anos 1970 - e ele levava todos os garotos nele, e nós éramos tão pequeninhos que ele fazia caber nove ou dez dentro do carro, mais as chuteiras, as bolas, as cestas básicas e todo o resto", recorda.

"Cara, o que esse clube faz por aqueles meninos, é incrível. No Brasil, nós temos um nome para pessoas como Mamede: heróis desconhecidos."

 

 

SELEÇÃO E NEYMAR

Gabriel Jesus estreou como profissional no Palmeiras em 2015 e desde então teve uma ascensão meteórica na carreira. Em 2016, foi medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, eleito melhor jogador do Campeonato Brasileiro, o qual foi campeão com o alviverde. Em 2017, é titular absoluto da seleção brasileira comandada por Tite. 

"Para fazer você entender o que esse momento significou para mim, apenas dois anos antes, eu estava nas ruas do Jardim Peri pintando as calçadas de verde e amarelo para a Copa do Mundo de 2014. Os caras da vizinhança que desenhavam muito bem fizeram grandes murais - com os rostos dos jogadores brasileiros, como David Luiz e Neymar - e nós estávamos ajudando a deixar tudo aquilo colorido", escreve Gabriel, comparando com a conquista inédita do ouro olímpico. 

 

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Justamente sobre Neymar, Jesus afirma que já era fã do camisa 10, mas que foi "especial conhecê-lo, por causa do jeito dele". "Ele trata todo mundo como se fosse irmão dele. Ele foi a grande razão pela qual a gente foi capaz de se unir e ignorar a pressão e jogar um para o outro."

"Isso me surpreendeu bastante, porque mesmo no curto período de tempo que eu vivi no futebol, eu vi tantos caras que nem são grandes jogadores, que não ganharam nada, serem mascarados", compara. 

 

 

GUARDIOLA E EVOLUÇÃO

Gabriel reconhece que ainda precisa evoluir como jogador. Para isso, aceitou o maior desafio da sua vida, se mudando para um país muito mais frio do que o Brasil, onde, por não saber falar o idioma, "é um desafio ser compreendido", o que "pode ser solitário nesse sentido". Mas uma pessoa em especial foi determiante para sua escolha: Pep Guardiola. 

"Quando ele me ligou enquanto eu decidia para qual clube eu ia jogar, disse que estava contando comigo. Eu posso dizer que o Guardiola estava sendo verdadeiro – e no futebol isso significa muito", contou. 

 

 

 

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