Galvão fala sobre rivalidade com Luciano do Valle e outros momentos da carreira

Narrador atribui sucesso do grito de 'é tetra' à presença de Pelé e acredita ter mudado estilo de narração nos canais brasileiros

Relacionadas

O narrador Galvão Bueno, um dos mais antigos na televisão brasileira e certamente o mais notório dos que estão em atividade, concedeu entrevista ao programa 'O Grande Círculo' do SporTV. Nele, Galvão comentou sobre diversos pontos da carreira, como a rivalidade com outro grande narrador, Luciano do Valle e o histórico grito de 'É Tetra!'.

"Luciano do Valle foi um dos grandes gênios da comunicação. Nós fomos aqueles rivais que um puxa o outros. Nós competíamos na audiência, mas sempre fomos amigos. Quando eu vim, ele ficou com a seleção brasileira e eu com a Fórmula 1. Os outros jogos, nós dividíamos. Foi uma honra para mim ter dividido com o Luciano", comentou sobre o antigo narrador, falecido em 2014.

Sobre o grito quando Roberto Baggio perdeu o pênalti em 1994, Galvão atribuiu a fama a seu então colega de cabine, Pelé. "Isso apareceu para o mundo inteiro por causa do Pelé. Estávamos enlouquecidos mesmo. Virou um grito de comemoração. Eu ando na rua e os caras gritam 'É tetra'. O penta não pegou tanto. Vamos falar a verdade? Nós estávamos na carona do Pelé", acredita.

Galvão também falou sobre quando quase saiu da Globo por não narrar jogos da seleção, após a Copa de 1986. "Foi uma opção do Boni. Ele foi influenciado pela importância de São Paulo e Osmar Santos era um gênio. Houve uma decisão do Boni. Acho que fiz uma bela Copa do Mundo e narrei um jogo do Brasil, que foi contra a Argélia. O Osmar teve um probleminha. Só que eu avisei para eles que, depois da Copa, iria embora. Negociei sério para sair, mas o bom senso acabou prevalecendo e eu acabei permanecendo. Não tenho do que reclamar. De 90 para cá, fiz todos os jogos do Brasil", relatou.

Galvão acredita que deixou um legado no estilo de narração nos canais de tv brasileiros. "Quando eu cheguei, tinha uma cartilhazinha. Eu acho que ajudei muito para mudar isso. Se um cara dissesse na transmissão 'Joga a luva, goleirão!', imagina o que poderia acontecer. A conversa direta do narrador com o jornalista não podia existir. Com calma, eu fui colocando isso e aquilo", contou na entrevista.

Em outros pontos, Galvão comentou que o que faltou em sua carreira foi acompanhar mais o tenista Guga, no qual narrou apenas um jogo durante uma Olimpíada e diz que hoje até se surpreende com o carinho recebido, depois de ser tão criticado.

MAIS SOBRE:

futebolGalvão BuenoLuciano do Vale
Comentários