Organizada do Colo-Colo se manifesta contra possível contratação de Felipão

Torcida não aprova chegada do técnico brasileiro por elogios feitos a Pinochet em entrevista de 1998

A torcida organizada Antisfascistas de La Garra Blanca, do Colo-Colo, escreveu uma nota de repúdio à possível contratação de Felipão pelo time chileno. A principal razão foram comentários elogiosos do treinador ao ditador Augusto Pinochet em 1998.

Pinochet governou o Chile entre 1973 e 1990, em um governo com brutal repressão contra opositores. O ditador saiu do poder após ser preso na Espanha por violações aos direitos humanos. Posteriormente, descobriu-se que Pinochet também tinha desviado US$ 17 milhões de dólares para contas fora do país.

Na entrevista de 1998, concedida à Jovem Pan, Felipão afirmou que Pinochet fizera 'muita coisa boa também'. "Ajeitou muitas coisas lá (no Chile). O pessoal estava meio desajeitado. Ele pode ter feito uma ou outra retaliaçãozinha aqui e ali, mas fez muito mais do que não fez. Há determinados momentos que ou o pessoal se ajeita ou a anarquia toma conta", afirmou o treinador na ocasião, falando sobre a tortura praticada pelos agentes da ditadura chilena. Posteriormente, em 2005, Felipão manteve as declarações durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

"Não ao fascismo no Colo-Colo, não ao Pinochetismo no nosso clube, nosso clube tem origens populares e rebeldes, por isso nunca as trajetórias e triunfos de alguém vão se sobrepor ao seu pensamento, sua posição política e sobre todos os seus valores humanos", escreveu a Garra Blanca na nota, prometendo declarar guerra a Felipão ou qualquer outro que abrace práticas e ideias fascistas.

Segundo o jornal local La Tercera, os elogios de Felipão a Pinochet seriam uma razão para que membros da diretoria ficassem reticentes com a contratação, ainda mais em um momento no qual o Chile passou por grandes protestos e está muito polarizado.

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