'Parece que por ser treinador, não posso falar de política', reclama Guardiola

Técnico critica 'brutalidade' espanhola para reprimir referendo da independência da Catalunha em 2017 e diz que pensa em dirigir seleção

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Pep Guardiola, técnico do Manchester City e um dos treinadores mais famosos do mundo, concedeu uma entrevista de noventa minutos ao site Gol. Nela, falou sobre diversos temas, mas chamou a atenção sua posição sobre o referendo de independência da Catalunha, sua terra natal. 

Em 2018, Guardiola defendeu a reação de um plebiscito para a independência catalã, que não foi aceito pela Espanha e levou à prisão de alguns líderes. "Ninguém sabe se a Catalunha queria se tornar independente, mas as pessoas somente queriam votar. É uma brutalidade o que está acontecendo com o presos catalães, oxalá acabe bem. Parece que por ser treinador de futebol não posso opinar. Tenho direito de pronunciar meus sentimentos e a injustiça do estado espanhol com sete pessoas encarceradas. Seguirei dizendo o mesmo", comentou o treinador.

"Com alguns deles estive em contato através das famílias. São ativistas sociais, gente que defende a paz, a cultura. Porque, ainda que seja minoritária, a catalã é uma cultura respeitável como qualquer outra. Então, eu não podia opinar sobre isso porque sou treinador de futebol... Por que um jornalista pode opinar e eu não?", questionou Guardiola.

Outros temas

Em outros pontos, Guardiola também falou sobre o montante de dinheiro que gastou para trazer jogadores para o Manchester City. "Sem a inversão que fizemos, não estaríamos onde estamos agora. O Chelsea o fez, o Madrid já gastou 300 milhões, o Barcelona contratou vários jogadores por mais de 100 milhões. Quando contratamos defensores, era porque tínhamos necessidade", afirmou, sobre o tema.

Ele também disse que gostaria de comandar alguma seleção. "Gostaria de estar em uma Copa do Mundo porque me recordo do Liga dos Campeões. A vantagem é que tem 400 jogadores para selecionar", disse Guardiola.

Por fim, o treinador foi sincero sobre as críticas que recebe. "Necessito ter inimigos, gente que me odeie. Por que o futebol consiste em reivindicar e tentar superar. Aos esportistas se passa o mesmo", declarou, sobre sua motivação.

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