Seleção masculina dos EUA pede pagamento igualitário para campeãs do mundo

Associação dos jogadores da seleção masculina critica Carlos Cordeiro, que recentemente tentou se justificar sobre a situação

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A principal bandeira das jogadoras da seleção de futebol dos Estados Unidos também foi abraçada pelo time masculino. Em uma carta endereçada à federação de futebol do país, a associação de jogadores da seleção masculina pediu pagamento igualitário a homens e mulheres e criticou Carlos Cordeiro, presidente da federação.

Recentemente, Cordeiro emitiu uma carta oficial para dar sua versão sobre os conflitos deste assunto, chegando a afirmar que o time feminino recebeu até mais dinheiro que o masculino nos últimos oito anos. A associação de jogadores da seleção masculina negou isto, afirmando que o presidente da federação incluiu os salários que as mulheres recebem na liga nacional para inflar os números. Você pode conferir as duas cartas no final do texto.

"A seleção feminina merece pagamento igualitário e está correta de procurar os meios legais para remediar a situação através de tribunais ou o congresso", está escrito na carta da associação enviada a Cordeiro.

"A federação diminui contribuições para o esporte quando lhe convém; Um jeito injusto de aumentar o lucro é recusar a pagar os jogadores da seleção sua quantia justa da renda que eles geram. Ele (Cordeiro) esconde o fato de que o dinheiro não vai para as jogadoras quando os patrocinadores pagam a federação, quando fãs compram ingressos a preços que aumentam constantemente e quando televisões pagam mais quando mais pessoas assistem. Isso não é justo ou equivalente", criticam.

A seleção feminina dos Estados Unidos venceu a Copa do Mundo da categoria pela quarta vez (segunda consecutiva) neste ano ao derrotar a Holanda na final por 2 a 0. Já o time masculino não conseguiu se classificar para o Mundial da Rússia, em 2018.

Carta da associação dos atletas masculinos da seleção masculina

"Os membros da Associação de Jogadores da Equipe Nacional dos Estados Unidos mais uma vez se levantam junto aos membros da seleção feminina campeã mundial em sua luta pela compensação justa por seu trabalho como jogadoras profissionais. Os jogadores da seleção masculina não se impressionaram com a carta que o presidente da Federação, Carlos Cordeiro, publicou na segunda. A federação diminui contribuições para o esporte quando lhe convém. É mais do mesmo de uma Federação que está constantemente entrando em disputas e litígios e foca apenas em aumentar renda e lucro sem pensar na ideia de como usar este dinheiro para fazer o esporte crescer. Um jeito injusto de aumentar o lucro é recusar a pagar os jogadores da seleção sua quantia justa da renda que eles geram.

A carta de Cordeiro diz que a seleção feminina deu prejuízo de U$ 27 milhões nos últimos onze anos, mas admite que isso é baseado em uma conta falsa, visto que a Federação "tradicionalmente" não conta nenhum patrocínio, cota de televisão ou dinheiro de marketing que a federação arrecada do time feminino ou masculino e suas partidas. Que time de esportes americanos faz dinheiro se eles não contam televisão, patrocínios e marketing?

A seleção feminina merece pagamento igualitário e está correta de procurar os meios legais para remediar a situação através de tribunais ou o congresso. A Federação corretamente aponta para os diferentes sistemas de pagamento da seleção feminina em seus contratos, mas não acreditamos que isto justifica descreditar o trabalho que elas fazem ou o real falar do profundo impacto delas na paisagem geral do esporte americano. A única solução que o Sr Cordeiro propões é para os fãs comprarem mais ingressos e assistirem mais jogos na televisão. Ele esconde o fato de que o dinheiro não vai para as jogadoras quando os patrocinadores pagam a federação, quando fãs compram ingressos a preços que aumentam constantemente e quando televisões pagam mais quando mais pessoas assistem. Isso não é justo ou equivalente.

Nós também estamos surpresos que o Sr Cordeiro escreveu sobre problemas trabalhistas visto que ele ainda sequer entrou em contato com a Associação de Jogadores. Como devem saber, nosso contrato de imagem acabou no final de 2018 e estamos esperando uma resposta da Federação para a nossa proposta de pagar aos jogadores uma parte justa do dinheiro que geramos e que proveria um pagamento igualitário aos jogadores de ambas as seleções."

Carta de Carlos Cordeiro

Na carta citada, Carlos Cordeiro diz que os EUA continuam celebrando o bicampeonato mundial que a seleção feminina conquistou e reforça que elas são inspirações e algumas das maiores atletas que o país já produziu. Entretanto, fala sobre a ação judicial referente ao pagamento que recebem da federação, arquivado em março desse ano, e diz que a federação gastou mais com o time feminino do que com o masculino entre 2010 e 2018: U$S34,1 milhões (R$ 130 milhões) contra U$S26,4 milhões (R$ 100 milhões)

"Todas as atletas do sexo feminino merecem um pagamento justo e equitativo, e nos esforçamos para atender a esse valor essencial em todos os momentos. Além disso, deve ser um princípio básico em todo o país - um trabalho igual merece pagamento igual. No caso das equipes nacionais masculina e feminina, elas têm diferentes estruturas de pagamento, não por causa do sexo, mas porque cada equipe escolheu negociar um pacote de remuneração diferente. As competições da FIFA para homens e mulheres incluem um número diferente de jogos a cada ano, em diferentes momentos, em diferentes locais, contra diferentes adversários com diferentes rankings da FIFA e diferentes torneios com diferentes critérios de qualificação e prêmios em dinheiro diferentes. No entanto, mesmo com essas muitas diferenças, os EUA O futebol se esforça para garantir que todos os jogadores da nossa equipe nacional, homens e mulheres, sejam pagos de forma justa e equitativa", disse o presidente.

No final de sua carta, ele concluiu: "Aqui nos EUA e em todo o mundo, quanto mais ingressos comprarmos para mulheres e quanto mais jogos assistirmos na TV, mais receita poderemos gerar para o jogo feminino, incluindo o prêmio em dinheiro da FIFA. Esse, acreditamos, é o melhor e mais sustentável caminho para a igualdade verdadeira e duradoura."

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