Sinônimos da cultura russa, matrioshkas temáticas entram em campo na Copa

Bonecas passaram a ser produzidas em série para atender a demanda dos turistas por souvenirs

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Com um boné preto virado para trás, o menino Alexei chega na principal loja de souvenirs da Praça Vermelha e vai direto na prateleira das matrioshkas. Escolhe a de Neymar, que sai por 1000 rublos (R$ 60). Choraminga e a mãe, Yelena, compra a contragosto. Na outra ponta de Moscou, em um bairro chamado Ismailov Vernissage, uma feira de artesanato e antiguidades, um chinês para em uma barraquinha e pergunta, olhando para as matrioshkas: Germany? Até as tradicionais matrioshkas recriam a rivalidade entre Brasil e Alemanha e, mais do que isso, acabam se reinventando na Copa do Mundo.

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As matrioshkas são sinônimos da cultura russa. São aquelas bonecas ocas e de tamanhos diferentes em que uma é guardada dentro da outra. Isso é uma simbologia para a maternidade, em que uma filha dá luz seu filho e assim sucessivamente. A sucessão da vida. Elas significam família, fertilidade, amor e amizade.

As bonecas tradicionais representam as mulheres russas com vestidos coloridos e floridos, de rostos redondos e de lenço na cabeça. Elas valem pelo trabalho com que são pintadas manualmente. Uma a uma. São feitas de lipa, uma madeira maleável, comum no interior. As matrioshkas são obras de arte. O Estado encontrou uma no valor de 256 mil rublos (R$ 15 mil). A coisa mais linda.

A Copa do Mundo reinventou essa tradição. Elas perderam o caráter artesanal e único. Passaram a ser produzidas em série para atender a demanda dos turistas por souvenirs. A madeira permanece a lipa, mas a pintura virou uma fotografia chapada do craque. Estão lá Griezmann, Cristiano Ronaldo, Salah, Messi. Todos custam a mesma coisa, cerca de 1000 rublos. No ranking das bonequinhas, Neymar vale o mesmo que Messi que vale o mesmo que Cristiano Ronaldo. A qualidade técnica dos atletas ficou em segundo plano. O que importa é o tamanho das peças. 

A vendedora Aya Saouli acha o máximo a mistura entre o futebol e a tradição russa. “É fantástico ver como uma coisa tradicional vai mudando com o tempo. A Copa trouxe a figura dos jogadores e as pessoas gostam”, afirma.

Com um sorriso de orelha a orelha, ela diz que vende umas 40 por dia. Os mais velhos torcem o nariz para a novidade. “Eu gosto das tradicionais, que falavam das mães russas”, diz a dona de casa Katrina Polev.

Katrina se empolga e explica que a própria cidade de Moscou é uma matrioshka. A capital russa se forma em torno dos muros do Kremlin. Depois, em círculos concêntricos, estão o anel das avenidas, o dos jardins; o das estradas urbanas e, finalmente, uma autoestrada exterior (MKAD) que rodeia a cidade por 114 km.

A Copa do Mundo não mudou apenas a cara das matrioshkas, mas também sua essência. O Estado tentou acompanhar os artesãos, ver suas oficinas, a obra de arte saindo de suas mãos nos arredores de Moscou. Um vendedor da feira de artesanato que não dar seu nome explicou que a maioria não está trabalhando nesta época. Foram substituídos por uma espécie de máquina de gravação que aumentou a quantidade produzida. Linha de produção. Os artesão devem voltar ao trabalho só após a Copa.

Uma matrioshka em Tubarão

Uma versão gigante da boneca russa é destaque na cidade de Tubarão, em Santa Catarina. O Clube Atlético Tubarão, que disputa a Série D, instalou uma matrioshka gigante no shopping da cidade. Ela será pintada durante a disputa do Mundial pelo artista Wagner da Silva. A ideia da diretoria é trazer um legado cultural para a cidade após a Copa. “Estamos agregando valores e queremos que seja um símbolo cultural e de sorte para nosso time”, disse o presidente do clube, Luiz Henrique Ribeiro.

 

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