Técnico de base do West Ham é afastado por apoiar grupo islamofóbico

Matéria publicada no britânico 'The Guardian' mostra que Mark Phillips não é o primeiro integrante do clube a ser afastado por polêmica

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O treinador da equipe sub-18 do West Ham, Mark Phillips, foi afastado do cargo na manhã desta terça-feira. A decisão foi tomada após o técnico ter participado de uma marcha organizada pela Democratic Football Lads Alliance (DFLA), um grupo acusado de disseminar a islamofobia e de ter conexões com organizações de extrema-direita. O técnico confirmou em um tuíte sua participação na marcha do último sábado e declarou apoio à organização em seguida. 

O grupo, que se autodenomina anti-extremista, é condenado por ativistas anti-racismo. Os membros são fãs de futebol, brancos e de meia idade. No evento criado nas redes sociais para recrutar os manifestantes, o grupo alegou protestar contra o "retorno dos jihadistas", "milhares de migrantes", "gangues de estupradores" e "veteranos (que são) tratados como traidores". 

A marcha foi interrompida após um grupo anti-racista ter bloqueado caminho dos manifestantes. O encontro logo transformou-se em violência. Membros do DFLA tentaram empurrar policiais durante a confusão. Um deles inclusive, de acordo com o The Guardian, ameaçou matar um dos policiais. Em um dos tuítes, Phillips admitiu a presença de Hooligans entre os participantes da marcha. Segundo ele, todos estavam bem comportados, até serem emboscados pelos ativistas do grupo anti-racismo.

Com a repercussão das publicações de Phillips, o assunto chegou ao conhecimento da Kick It Out, uma associação que visa combater o racismo no futebol inglês. A entidade entrou em contato com o West Ham após receber denúncias anônimas sobre o caso, na segunda-feira. Eles afirmaram que estão monitorando a situação.

O futuro de treinador ainda é considerado  incerto. O técnico pode ganhar uma segunda chance, caso reconheça o erro e aceite fazer um dos cursos da Kick It Out sobre discriminação. A Premier League já havia alertado os clubes sobre o crescimento da DFLA dentro dos estádios neste ano.

Phillips não é o primeiro a ser afastado por conduta inapropriada. Em março deste ano, o diretor de recrutamento, Tony Henry, foi demitido após ter afirmado que o clube não queria mais jogadores africanos porque eles poderiam "causar caos" . Em um email para outro dirigente do clube, Henry afirmou que "às vezes (os africanos) causam muitos problemas quando não estão jogando". 

Em nota, o West Ham afirmou que "é um clube de futebol inclusivo. Independentemente de gênero, idade, raça, habilidade, religião ou orientação sexual. Nós temos política de tolerância zero para qualquer forma de violência ou comportamento abusivo. Nós continuamos protegendo e valorizando esses valores e continuamos comprometidos em assegurar que todos os membros da família West Ham se sintam seguros, respeitados e incluídos."

 
 

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