Time alemão demite artilheiro após ele ver jogo ao lado de torcida neonazista

André Frahn também era capitão do Chemnitzer e já havia demonstrado apoio aos torcedores organizados de extrema-direita antes

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O Chemnitzer, clube da terceira divisão alemã, decidiu tomar uma atitude drástica para demonstrar que não tolera o neonazismo, nem mesmo entre os seus ultras, como são chamados os torcedores organizados na Alemanha: demitiu o capitão e artilheiro da equipe, André Frahn, que viu o jogo contra o Hallescher ao lado do grupo Kaotic Chemnitz, formado por neonazistas, enquanto estava lesionado.

“O Chemnitzer continuará a agir consistentemente contra quaisquer ideias anticonstitucionais e os seus simpatizantes. O clube se comprometeu a ser um bastião na luta contra o radicalismo da extrema-direita, em acordo firmado por seus acionistas após os eventos do verão de 2018. Ficamos horrorizados ao perceber que nosso capitão se tornou um grande simpatizante do desumano grupo ‘Kaotic Chemnitz’ e do dissolvido NS-Boys, causando grandes danos ao clube. Há tolerância zero a este comportamento”, afirmou, em nota oficial.

Frahn é reincidente nesse tipo de situação. Em março de 2019, os fãs neonazistas do clube realizaram um tributo a Thomas Haller, que fundou um grupo chamado HooNaRa (Hooligans, Nazistas, Racistas) na década de 1990 e existiu até 2007, quando as autoridades encerraram suas atividades. Os grupos Kaotic Chamnitz e NS-Boys, herdeiros da ideologia, organizaram a homenagem, que contou com frase no telão e nos auto-falantes do estádio e um minuto de silêncio antes de um jogo começar. O atacante exibiu uma camiseta pedindo apoio aos hooligans locais quando marcou.

A situação gerou grande repercussão e uma queixa criminal direcionada ao clube. O Kaotic Chemnitz seguiu banido das partidas em casa, como estava desde 2012 e o NS-Boys se dissolveu. O responsável pelo departamento de comunicação do clube e o locutor do estádio foram demitidos e o chefe-executivo entregou o cargo. Frahn foi suspenso por dois jogos e fez um pedido de desculpas oficial.

A segunda vez, no entanto, foi demais, e o clube afirmou que não deveria ter acreditado nas palavras do jogador da outra vez. “Mais do que marcar gols ou torcer ao lado dos ultras, ele precisava de atitude”, afirmou o presidente do clube, Rony Polster.

Frahn estava no time desde janeiro de 2016. Ele vivenciou o rebaixamento para a quarta divisão, mas foi importante na posterior volta, fazendo 24 gols em 32 jogos na última temporada. Agora, encerra a passagem de forma melancólica.

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