FalleN' diz que pais deveriam incentivar filhos a jogarem videogame

Precursor do cenário de CS:GO, brasileiro afirma que relação entre pais, filho e games é benéfica

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Hoje aos 29 anos Gabriel "FalleN" Toledo é um dos principais players da Made In Brasil, mais conhecida como MIBR, patrocinada pela Betway. Ele também é um empreendedor. Possui sua própria marca, organiza torneios e é o criador da Games Academy - incorporada à Gamers Clube - uma espécie de escola digital, para quem quer aprender técnicas de CS:GO e participar de competições.

Em entrevista ao Estadão, FalleN comentou sobre um possível declínio do CS:GO, da relação entre pais e filhos nos eSports, de seus planos futuros e da experiência de jogar sem público.

Você acredita num possível declínio de Counter Strike no futuro?

O CS já provou ser um jogo que fará parte do esporte eletrônico por muito tempo. Não vejo motivo algum para que isso comece a decrescer. Acho que os investimentos na área pela Valve (desenvolvedora do jogo) têm crescido com o passar do tempo e isso incentiva o jogo a atingir patamares ainda não alcançados. Não vejo um cenário de esporte eletrônico onde o CS não esteja presente. Conforme o tempo vai passando, novas gerações de jogadores nascem. Hoje em dia, têm pais e filhos assistindo às partidas juntos. Pais que jogaram, quando eram jovens. Acredito, que, conforme o tempo passa, essa tendência será mantida.

Os eSports podem ser uma opção de carreira para os mais novos?  

Acho que com o entretenimento, o mundo dos games está cada vez mais evidente nos lares, no dia a dia das pessoas e em seus cotidianos. Muitos garotos, garotas e jovens já se espelham em pessoas que fazem do eSports uma carreira. Obviamente, assim como fizeram com todos os outros esportes, muitos deles sonham em seguir o mesmo caminho. Acho importante os pais ficarem antenados no desejo de seus filhos e os incentivarem a tentar, assim como os incentivam a fazer escolinha de futebol e a tocar instrumentos. Acho interessante que os pais estejam perto dos filhos, para poderem acompanhar esse desejo que eles têm e para poderem incentivá-los. Não necessariamente, assim como em todas as coisas da vida, todos se tornarão profissionais. Nem todos conseguirão ser grandes jogadores, como é no futebol, por exemplo. Mas só pelo fato de os pais estarem conectados com os filhos, e dividindo esses momentos, vale muito pra família. Acredito que os filhos, dessa maneira, se sentem mais entendidos também. Acaba sendo uma oportunidade de troca de experiências entre pais e filhos, que podem usar do game uma maneira de incentivá-los a estudar e a trabalhar também. É uma troca benéfica para os dois lados.

Como está sendo a experiência de disputar campeonatos sem público?

É diferente você jogar só online. É bem gostoso você ir para os campeonatos e poder encontrar as pessoas, sentir aquele calor da torcida e ter um momento em LAN (sem internet). Até a própria qualidade do jogo desenvolvido em LAN é diferente do jogo online por conta do ping (medidor do tempo de resposta da conexão do computador na rede) e pelo fator emocional. É uma outra atmosfera. Sinto falta dos jogos em LAN. Acredito que seja nesses ambientes que o CS seja mais bem jogado.

A torcida da MIBR sentiu-se confiante após a semifinal da BLAST. A equipe também sentiu essa confiança? Como você analisa a derrota na final?

Naquela semana, quando tivemos nossos últimos jogos bem jogados, que foi realmente essa semifinal e final da BLAST, conseguimos estar num momento muito bacana, que fazia tempo que não sentíamos. A equipe jogou muito bem, num nível de alta qualidade, tanto taticamente, quanto individualmente. O estado emocional de todos os jogadores atingiu o seu pico no semestre. Realmente, deu para ver que a torcida se animou bastante com esses resultados e com razão. Estávamos jogando bem. Tivemos alguns motivos para não conseguirmos nos manter nos jogos subsequentes. A própria final da BLAST foi um jogo apertado. Foram dois mapas definidos nos detalhes, que poderiam ter um resultado diferente. Na semana seguinte, terminamos de jogar a BLAST e partimos para as qualificatórias da Summit. Foram vários jogos na sequência, sem nenhum dia de descanso. Não somos máquinas, nem tanto robôs. Isso desencadeia um fator de cansaço na equipe e isso acabou pesando no final da temporada. Fica o aprendizado para o próximo semestre.

Quais são seus planos para o futuro?

Como não possuo muitos anos de jogo ainda pela frente, competitivamente falando, não irei precisar me preocupar com um declínio do CS. Me vejo fazendo algo na área dos games, em alguns projetos que já tenho e participo, onde eu queira colocar mais ênfase e mais trabalho. Mas isso são especulações. Ainda não tenho algo muito concreto em mente.

Depois de tudo que você já conquistou, qual seu maior sonho?

Difícil dizer. Sempre gostei bastante, além de ser jogador de Counter Strike, de ajudar na parte educacional do game. Tentar passar esses valores que o jogo transmite para as pessoas através das aulas e de experiências competitivas com outros companheiros de equipe. Acho que no futuro, quando já não tiver jogando profissionalmente, vou poder elaborar e desenvolver mais esses projetos acadêmicos, onde posso fazer do jogo uma plataforma de ensino, de aprendizagem e de diversas habilidades para as pessoas. É uma coisa que eu sinto muito prazer em fazer.

Quais são os próximos passos da MIBR?

O foco principal é o Major, marcado, até o momento, para novembro. Buscaremos com todas as forças a classificação A longo prazo, pensamos em desenvolver a equipe para estar apta a jogar em todos os torneios, cada vez em melhor nível.

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