Atletas olímpicos russos flagrados no doping se recusam a devolver medalhas

COI cobra 23 premiações de volta; atleta diz que não devolve porque 'ninguém mereceu mais do que ela'

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As medalhas de prata que a velocista russa Tatyana Firova conquistou nos Jogos Olímpicos de Pequim e Londres estão guardadas em um cofre em seu apartamento nos arredores de Moscou, em desafio ao Comitê Olímpico Internacional (COI), que cobra há meses a devolução.

Firova está entre os seis atletas russos que disseram à agência de notícias Reuters ainda não ter devolvido suas medalhas olímpicas conquistadas em Pequim e Londres. As premiações foram revogadas no ano passado depois que uma repetição de exames antidoping em suas amostras, ou de colegas de revezamento, mostraram o uso de substâncias proibidas.

Dois desses atletas disseram não ter intenção de devolvê-las, enquanto outros três disseram que pretendem entregar os prêmios de volta, mas não sabem como ou tiveram problemas logísticos ou aguardam o julgamento de recursos. Outro atleta ainda não sabe o que fazer.

"Não quero devolver minhas medalhas porque acho que ninguém mereceu mais do que eu", disse Firova, que teve cassado o vice-campeonato olímpico no revezmento 4x400 metros medley depois de ser flagrada pelo uso do anabólico esteróide turinabol.

A federação de atletismo russa disse à Reuters que três medalhas olímpicas e um diploma foram devolvidos, e que vários recursos ainda estão pendentes de julgamento. Em fevereiro, a federação informou que 23 medalhas deveriam ser devolvidas.

A federação está atualmente suspensa em consequência de um relatório de 2015 da Agência Mundial Antidoping (Wada) que expôs um sistema de doping patrocinado pelo Estado no atletismo do país. Ainda não está claro se não devolver as medalhas pode resultar em medidas disciplinares adicionais ou impedir atletas russos de ir a Jogos Olímpicos.

Também não está claro se o COI pode obrigar os atletas a devolver as medalhas.

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