Com permissão da justiça, patinadora trans de 11 anos participa de torneio

Confederação Sul-Americana de Patinação inicialmente negou a inscrição de Maria Joaquina; ela chorou enquanto fazia rotina

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Foi uma batalha, mas Maria Joaquina, menina de 11 anos, conseguiu participar do Campeonato Sul-Americano de Patinação Artística de sua categoria, que está sendo disputado em Joinville, Santa Catarina. Para ter sua participação assegurada, a jovem garota trans precisou de mandato judicial. As informações são do blog Olhar Olímpico, do portal UOL.

De início, a Confederação Sul-Americana de Patinação (CSP), comandada por Moacyr Neuenschwander Junior, que também preside a Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação (CBHP), negou sua inscrição porque no RG constava como masculino. Na última segunda-feira, 22, os pais da menina, Gustavo Cavalcanti e Cleber Reikdal, entraram com pedido na Justiça para que ela pudesse competir.

De início, o processo ficou num jogo de empurra-empurra. Um desembargador da Justiça de São Paulo a submeteu a um tribunal federal, que declinou competência. Na última quarta-feira, 17, o Superior Tribunal de Justiça definiu que a competência era do Tribunal de Justiça de São Paulo, que então decidiu a favor de Maria Joaquina e garantiu que ela competisse.

Cavalcanti e Reikdal já solicitaram à Justiça a mudança de sexo nos registros civis de Maria Joaquina. O Ministério Público deu parecer favorável, mas o processo ainda não foi julgado, por isso os documentos de Maria Joaquina apontam o sexo masculino. Segundo os pais, a menina demonstra não gostar de usar roupas masculinas desde que foi adotada, três anos atrás.

Ainda assim, ela conseguiu participar de algumas competições, até oficiais. Esteve presente na edições 2017 e 2018 do Campeonato Paranaense e competiu no Campeonato Brasileiro em 2018, quando ganhou a medalha de prata, com anuência da CBHB.

Mas o bom desempenho não se repetiu no Campeonato Sul-Americano nesta manhã. Nervosa, Maria Joaquina não pôde treinar na pista da competição por determinação da CSB e foi a primeira a entrar no ringue, quando as melhores normalmente são as últimas. Chorou enquanto fazia sua rotina e caiu quatro vezes.

Como Maria tem apenas 11 anos e não entrou na puberdade, tem os mesmos níveis de testosterona de uma menina da mesma idade, por isso, não tem vantagem esportiva.

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