Danos cerebrais em atletas faz analista da ESPN de futebol americano se demitir

'Não posso continuar como líder de torcida do esporte', declarou Ed Cunningham, comentarista de futebol americano universitário desde 2000

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Nos últimos anos, alguns jogadores decidiram encurtar suas carreiras na NFL devido aos riscos que os constantes choques com adversários causam no cérebro. Agora, pela primeira vez um comentarista do esporte resolveu abandonar seu cargo por não concordar com as consequências da modalidade. 

Ex-jogador da Universidade de Washington, do Arizona Cardinals e Seattle Seahawks, Ed Cunningham anunciou que não trabalhará mais como analista de futebol americano universitário na ESPN americana por se sentir desconfortável com maneira que o esporte afeta fisicamente os jogadores, principalmente a longo prazo. 

 

 

Em entrevista ao jornal The New York Times, publicada nesta quarta-feira, 30, Cunningham contou que tem "total responsabilidade da sua escolha pelo esporte", mas que simplesmente não pode mais "continuar como um líder de torcida". 

"No estado atual, há perigos reais, como fraturas de membros e desgastes naturais. Mas o verdadeiro problema é que não acho o jogo seguro para o cérebro. Para mim, isso é inaceitável", adicionou Cunningham, que trabalhava como comentarista na ABC e ESPN desde 2000. 

 

 

Primeiramente diagnosticada em pugilistas, a Encefalopatia Traumática Crônica (ETC) também passou a ser registrada em grande escala entre jogadores de futebol americano a partir dos anos 2000. Em esportistas, a principal causa desta síndrome são as frequentes pancadas na cabeça sofridas durante a prática das modalidades. Além do boxe e do futebol americano, jogadores de rugby, futebol e lutadores de outras artes marciais também já foram diagnosticados com ETC. 

Os sintomas da doença geralmente aparecem cerca de uma década após a interrupção da prática esportiva. Além de problemas motores e de fala, a ETC também pode causar depressão, perda de memória, bipolaridade e tendências suicidas. 

 

 

Já submetido a exames, Ed Cunningham não foi diagnosticado com a síndrome. No entanto, Dave Duerson, que foi seu companheiro nos Cardinals em 1992 e 1993, cometeu suicídio em 2011. Testes realizados após a morte do ex-safety confirmaram que ele sofria de ETC. 

"Eu conheço muitas pessoas que dirão: 'eu simplesmente não posso mais comemorar trombadas fortes. Antes eu ficava maluco, mas agora, torço para que o jogador se levante'", disse Cunningham. "Não acho que o esporte é seguro para o cérebro. Aliás, eu já tive alguns companheiros que se mataram. Dave Duerson colocou uma arma no peito e assim pudemos estudar o cérebro deles", concluiu. 

 

 

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