Denúncia de abuso sexual na ginástica repercute no Brasil e no exterior

Nadadora Joanna Maranhão, que já revelou ter sido abusada em 2008, é uma das atletas a se manifestar nas redes

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As denúncias de dezenas de atletas que afirmam ter sido vítimas de abuso sexual durante anos por Fernando de Carvalho Lopes, ex-treinador da seleção brasileira masculina de ginástica artística, repercutiu no Brasil e lá fora.

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Em sua conta no Instagram, a nadadora Joanna Maranhão, de 31 anos, fez um longo desabafo em solidariedade aos ginastas envolvidos na história revelada pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo.

"Trouxe a público minha história há 10 anos e nunca vai deixar de doer e de me sentir impotente quando me deparo com histórias como essas", escreveu a atleta. Em 2008, ela revelou que havia sofrido abuxo sexual de um ex-treinador quando tinha apenas 9 anos de idade. Desde então, é uma das atletas mais engajadas na luta contra o assédio.

Confira o post dela abaixo:

 

 

- “Joanna, você viu a reportagem do Fantástico sobre os casos de abuso na ginástica masculina?” -“O que você acha disso?” Trouxe a público minha história há 10 anos e NUNCA vai deixar de doer e de me sentir impotente quando me deparo com histórias como essas. Para além do crime e das cicatrizes, das infâncias usurpadas, dos talentos desperdiçados, o que me revolta é o SILÊNCIO e a CONIVÊNCIA. É esse DISTANCIAMENTO dos que sabiam ou ouviram algo a respeito. Pedofilia é um crime que se alimenta de sombra e silêncio, me perdoe a franqueza mas se você já ouviu alguma história e disse algo como: - “Bom, melhor não me envolver nisso” ou, - “Comigo nunca aconteceu nada então prefiro não me manifestar”ou, - “Por isso que virou "viadinho", né?” ou, - “Mas pq só resolveu falar agora? Tá estranho isso aí”, - “Aconteceu há tantos anos pq você tá sofrendo com isso agora?”, -“Tá mas cadê a prova?” Você já falou ou pensou algo assim? Então você tem sua parcela de culpa SIM. Não importa quem você seja, o cargo que ocupe. Martin Luther King dizia que: “É sob o silêncio cúmplice dos decentes que alguns dos maiores crimes acabam sendo perpetrados.” Peço e espero que a imprensa tenha RESPEITO ao enfrentamento desses atletas, que não façam perguntas pedindo pra descrever os abusos porque isso significa REVIVER tudo e vocês não têm ideia de como dói. Apurem, falem, falem muito, mas tenham empatia com as vítimas e com suas famílias, por favor. Hoje, sigo para uma série de ações de combate à pedofilia pelo Brasil e eu não faço mais do que minha obrigação. Não sou mais forte nem melhor do que qualquer outra vítima, o que eu tive foi SUPORTE de todos os lados para buscar meu equilíbrio. Às vezes eu caio, fico na cama deitadinha sem coragem de sair pro mundo, passam uns dias e vou retornando, e é assim, vai ser pra sempre assim. Só que eu não quero que seja assim pra mais ninguém. #todoscontrapedofilia #projetoinfâncialivre #campanhapermanente

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Quem também se menifestou foi a americana Aly Raisman, dona de três ouros olímpicos, um deles na competição por equipes nos Jogos do Rio, em 2016. Ela foi uma das cerca de 300 ginastas que acusaram Larry Nassar, ex-médico da Federação Americana de Ginástica, julgado e condenado a mais de 360 anos de reclusão por abusar de atletas durante décadas.

Em seu Twitter, Aly escreveu: "Devastada ao ouvir sobre os muitos ginastas no Brasil que foram abusados. Sobreviventes devem ser ouvidos e a Justiça deve ser cumprida. Como deveria ser em todo lugar. Mundo da ginástica, repito, grito o mais alto que posso, isto é maior do que Nassar. Federação Internacional e Comitê Olímpico Internacional, atuem agora. Não podemos esperar mais".

 

A tuitada dela veio em resposta a outra, de Jacob Denhollander. Jacob é casado com Rachael Denhollander, primeira mulher a denunciar os abusos de Larry Nassar. "Mais abusos no mundo da ginástica, desta vez no Brasil. Um técnico abusou de pelo menos 45 atletas por um período de 15 anos. Parece que o exemplo do Nassar está permitindo que mais e mais vozes sejam ouvidas", postou.

 

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