Gaúchos conta perrengues em prova de ciclismo mais difícil do mundo

Cesar Mincato e Tiago Fiamenghi participaram da RAAM, prova de 5 mil km que cruza os Estados Unidos da Costa Oeste até a Leste

Relacionadas

Cesar Mincato e Tiago Fiamenghi não são atletas profissionais, mas participaram de uma das maiores provas de ciclismo do mundo, a RAAM (Run Across America), que dura nove dias e cruza 5 mil quilômetros entre Oceanside, na California, e Annapolis, em Maryland, em lados opostos dos Estados Unidos. Embora tenham chegado bem do outro lado do país, os dois passaram por diversos problemas.

O primeiro impasse era o econômico. O dólar estava cotado na casa dos R$4 e, a 60 dias da prova, faltava 70% do dinheiro para cobrir o custo do projeto. O Bike & Wine Team foi a última equipe a se inscrever. O segundo desafio era vencer as barreiras físicas, já que Mincato e Fiamenghi não são atletas profissionais. “Nós compramos as passagens faltando três semanas. Nosso chefe de equipe dizia para fazermos no ano que vem, mas a gente acreditava em milagres”, relembra Tiago.

“Nós éramos a única equipe sem motorhome, por causa do custo. Tínhamos três vans. E isso faz muita diferença. Tomamos um banho em nove dias, dormimos mal, pedalamos com sono, caímos, enfrentamos 50 ºC e 0 ºC”, conta Cesar. 

Com os problemas, os gaúchos passaram por algumas situações preocupantes. “No segundo dia, no deserto da Califórnia, o Cesar teve uma queda de energia. Eu tinha parado há pouco tempo para o meu descanso e precisei voltar pra bike, ele estava pálido, irreconhecível”, lembra Tiago. “Eu comecei a sentir a visão branquear, faltava ar e eu parei. A equipe estava na frente, voltou. Eu simplesmente parei, travei”, diz Cesar, que atribui o problema à alimentação inadequada.

Não foi a única ida de um dos dois ao hospital - Tiago sofreu uma queda no terceiro dia. Eu estava começando a descer uma ladeira íngreme e a bicicleta tremeu na frente. Eu freei, achei estranho, mas segui. Eu sentia muito frio no corpo todo e as minhas mãos estavam travando. Eu estava mais embalado quando a bicicleta tremeu mais uma vez na frente e eu percebi que eu ia cair. Foi como se eu estivesse em câmera lenta, eu percebi que tinha perdido o controle e ia cair”, recorda.

Um enfermeiro americano que passava pelo local os ajudaram, Tiago foi atendido e César reassumiu a bike pela equipe, dez minutos após ter terminado sua vez. Teve que pedalar por mais seis horas ininterruptamente enquanto o colega se recuperava.

Mas, no final, a dupla conseguiu chegar ao objetivo no tempo proposto. "Nós tínhamos um propósito muito maior do que apenas chegar a Annapolis. Nós temos o Bike & Wine, ele é o nosso propósito de vida e é maior do que a RAAM. A prova está dentro dele e não o contrário”, afirma Cesar, sobre o que impeliu a dupla

MAIS SOBRE:

ciclismo [esporte]
Comentários