Ex-técnico da seleção brasileira de beisebol apoia protestos na NFL

Membro do Hall da Fama, Barry Larkin cita experiências próprias para endossar manifestações

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Apesar de ter deixado o posto de técnico da seleção brasileira de beisebol, o ex-jogador da MLB Barry Larkin se mantém ligado ao desenvolvimento de jovens atletas no País. Nesta semana, ele e Steve Finley, outro ex-MLB, especializado no treinamento de rebatedores, estiveram no Brasil para acompanhar os 32 garotos da Academia MLB Brasil, no Centro de Treinamento Yakult, em Ibiúna.

Entre os diversos assuntos debatidos por Larkin com o Fera em São Paulo, onde ficou hospedado na última semana, estavam os protestos políticos, principalmente de jogadores da NFL, durante a execução do hino americano.

 

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"Pessoalmente, eu não me ajoelharia durante o hino nacional. Mas eu entendo totalmente o que eles estão fazendo e porquê", afirmou Barry. "Acho que há uma percepção errada acerca do que está acontecendo. Os atletas estão protestando contra a injustiça, não contra a bandeira, o país ou as forças armadas. Eles estão contra a injustiça e usando essa plataforma como uma maneira de protestar contra isso."

Ao contrário da NFL, somente um jogador realizou protestos na MLB, o receptor Bruce Maxwell, do Oakland Athletics.

 

 

Finley, que atuou na MLB por 18 temporadas, concorda com as opiniões do colega e ressalta que a atitude dos atletas já explicitou o problema na sociedade americana. "A beleza dos Estados Unidos é a liberdade de expressão. Eu não ajoelharia no hino, mas as pessoas escolhem maneiras diferentes para dar visibilidade às reivindicações. E só isso já conscientizou o público sobre a injustiça racial", pontuou Steve. "Não há como argumentar que eles estão errados."

Afro-americano, Larkin endossa seu apoio com experiências vividas por ele próprio durante sua vida, "antes dos jogos, durante, depois, nos estádios, na rua".

 

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"A primeira vez que vivi essa injustiça foi aos 12 anos. Durante um torneio longe da minha cidade, todos os jogadores do time foram aceitos por host families, menos eu e outro menino, que também era negro. Achamos até legal, porque ficamos hospedados em um hotel, tínhamos acesso a uma piscina e foi divertido. Mas depois o técnico nos explicou o real motivo por tudo aquilo e ficamos um pouco assustados", recorda Larkin. 

Na visão do ídolo do Cincinnati Reds, o momento atual pode ser crucial para estabelecer as reivindicações e consolidá-las na sociedade. "Temos agora uma grande oportunidade. Tudo depende apenas de entender a liberdade e a exposição que temos e usá-la para estrategicamente nos impor sobre alguma coisa. Isso pode ser feito dentro ou fora dos jogos, com ou sem o uniforme", explicou.

 

 

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