'Não é uma escolha', diz Joanna Maranhão sobre militância nas redes sociais

Ex-nadadora pretende continuar com postura combativa e fazer mestrado sobre temas de ensino de assuntos ligados à sexualidade para crianças nos EUA

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A ex-nadadora Joanna Maranhão se tornou conhecida não apenas por seus resultados no esporte, mas também por suas participações nas redes sociais, em que busca combater posturas machistas, elitistas, racistas e reacionárias. Em entrevista ao site da ESPN, a atleta explicou que se vê obrigada a isso por ser uma pessoa pública.

"Eu não escolhi ser uma pessoa pública, foi uma consequência. Mas eu estou 'ali'. Para mim, o contrário, calar, é que seria uma escolha. Tomo muita porrada, mas, sem querer usar um clichê, aprendo muito. É violento, sim, muitas vezes. Mas é enriquecedor", afirmou Maranhão ao site.

"Eu sempre ouvi que atleta só pode falar de competição e treino. Pô, eu não consigo dissociar. Até porque, ninguém é assim, monotemático. Nos bastidores, os atletas falam de tudo, afinal", relata a ex-nadadora.

Joanna tem plena consciência de que a indicação é que os atletas não se posicionem sobre esses temas. "Sou o exemplo do 'errado' nos media trainings", diz ela, em referência aos cursos de treinamento para lidar com jornalistas ao qual muitos atletas são submetidos.

Ela reconhece, no entanto, que às vezes se excede. "Às vezes, revejo postagens minhas, opiniões que coloquei, e penso que poderia ter sido melhor. Mesmo assim, é pedagógico", conta.

Recentemente, Joanna entrou em uma discussão com o ex-colega de natação Felipe França, que realizou uma queixa-crime contra ela (Joanna prometeu processá-lo). "Ele bateu na minha ferida muito forte e eu reagi de modo muito forte", explica, sobre a situação em que França citou o assédio sexual sofrido por ela na infância por parte de um treinador.

Joanna reconhece que teve alguns privilégios ao longo da vida. "Sim, eu treinei muito, mas vim de uma família de classe média, que pôde me matricular na melhor escola de natação da cidade. Só com isso, eu já larguei na frente de muita gente. Não tira o meu mérito, mas e quantas crianças teriam o mesmo mérito, mas não tiveram a oportunidade?", questiona. Grávida de seis meses, Maranhão garante que vai fazer o filho Caetano reconhecer sua posição na sociedade do mesmo jeito.

Maranhão tem um projeto chamado Infância Livre, que leva aulas de natação a famílias de baixa renda de Belo Horizonte. Depois que o filho nascer, ela também pretende fazer um mestrado sobre o tema do ensino de assuntos ligados à sexualidade para crianças, nos EUA. Entretanto, garante que não irá mudar sua postura militante.

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