'Paralimpíada não é mais fácil', diz brasileiro recordista mundial

Petrucio Ferreira corre para se manter no topo e levantar a bandeira do Brasil no ponto mais alto do mastro em Tóquio

Relacionadas

Quem vê Petrucio Ferreira, de 20 anos, correndo não imagina que ele pratica atletismo há apenas três anos. O jovem percorre os 100 metros com tanta facilidade, que chega a ser difícil acreditar que se trata de um atleta paralímpico. No Mundial disputado em Londres, em julho, o paraibano quebrou o recorde dos 100m e dos 200m, melhorando a marca conquistada no Rio de Janeiro, em cinco centésimos: 10s53. O tempo já o qualifica para correr com atletas olímpicos, possibilidade que ele não descarta. 

Apesar da aparente facilidade que Petrucio tem para correr, o atleta da categoria T47 (amputados de braço) faz questão de ressaltar que não é bem assim. "Já ouvi gente dizendo coisas como: 'você corre com as pernas e não com o braço'. Quem não conhece pensa que Paralimpíada é mais fácil, mas não é. No meu caso, tem toda uma questão de equilíbrio, que me prejudica, principalmente na largada e no início da prova", explica, sem ficar apenas no seu exemplo. "As conquistas que tivemos são fruto da nossa dedicação. Os atletas treinaram muito para chegar bem no Rio e saímos de lá com muitas medalhas."

 

 

+ Esporte olímpico, basquete 3x3 volta aos Jogos Universitários Brasileiros

+ JUBs terá minuto de silêncio em homenagem às vítimas de ataque em Goiânia

 

Petrucio teve de amputar o braço esquerdo quando tinha apenas dois anos de idade, depois de um acidente com uma máquina de cortar cana. Antes de entrar para o atletismo, ele queria ser jogador de futebol. E em uma dessas "peladas" acabou sendo descoberto. "Falavam que eu era rápido e que era difícil me marcar. Até que um dia um rapaz me viu em um jogo de futsal e me convidou para treinar atletismo. Na minha primeira competição consegui chamar a atenção e fui convocado para a seleção sem treino nenhum", relembra.

O atletismo interrompeu a chance de ser jogador de futebol, mas o ajudou a realizar um sonho de criança. Torcedor do São Paulo, ele sempre gostou do esporte bretão e dizia para a mãe que um dia iria vestir a amarelinha. "Eu consegui vestir a camisa da seleção, mas no atletismo. A sensação de ter conquistado três medalhas em casa ainda é difícil de descrever. E hoje eu amo o que eu faço", ressaltou Petrucio, que foi escolhido para ser padrinho do atletismo nos Jogos Universitário Brasileiros (JUBs) 2017, realizado em Goiânia.

"Eu já tinha ouvido falar dos jogos, mas nunca tinha participado. Entrei na faculdade de educação física esse ano. E no próximo quero voltar não só como padrinho, mas como atleta também."

 

 

MAIS SOBRE:

jubsPetrúcio Ferreira dos Santos
Comentários