Técnico critica estrutura da natação nos Jogos Universitários Brasileiros

'Fomos reféns da estrutura esportiva nacional', defende Luciano Cabral, presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário

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Com a presença de três atletas olímpicos (Gabriel Santos, Daynara de Paula e Larissa Oliveira), a natação é um dos destaques dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) deste ano. Mas o local das provas mudou três vezes e o Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB, em Aparecida de Goiânia, escolhido para as competições não agradou. 

“Temos atletas que vieram de Olimpíada e Panamericano. Essas competições costumam ser estratégicas na preparação para outras, como o Open, a última do ano. Mas a estrutura que organização nos ofereceu é lastimável”, diz Carlos Matheus, técnico da natação da Unip, que também participou da equipe do Jogos Olímpicos do Rio.

Depois desse desabafo, Matheus cita alguns problemas encontrados: “Não há piscina de soltura para os atletas (local para que eles possam relaxar os músculos entre as provas). Saímos da competição 9 horas da noite no escuro. Nunca vi isso na minha vida”.

Enquanto o treinador relatava os problemas, a reportagem do Fera presenciou um fato para exemplificar e dar suporte as suas reclamações. Na prova de 100m costas, um dos atletas queimou a largada e o procedimento deveria ser soltar a corda na água para sinalizar para os atletas. Mas isso não aconteceu, os nadadores completaram a disputa, que acabou sendo invalidade e remarcada. “Meu atleta não vai nadar mais”, disse Matheus visivelmente irritado com a situação.

Resposta da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) 

"A CDBU foi refém da estrutura esportiva nacional. Sempre encontramos dificuldade, porque não temos boas estruturas em quantidade suficiente em todas cidades do Brasil, inclusive nas grandes cidades e nas capitais", explica Luciano Cabral, presidente da Confederação Brasileira do Desporto Universitário. 

Cabral relembra que na edição anterior, realizada em Cuiabá, Mato Grosso, o atletismo foi retirado do evento porque a cidade não possuía nenhuma pista. "Naquela ocasião, conseguimos identificar o problema antes. Aqui tínhamos acertado em fazer as provas de natação no Sesi Ferreira Pacheco. Mas o local, que é uma instituição privada, foi cedida para outro evento. Tentamos outra piscina e depois o Cel da OAB, que foi nossa terceira opção. Certamente, se fosse na fase de candidatura ou no início do processo, teríamos tirado a natação do programa".  

Luciano Cabral fez questão de explicar os erros de sistema, balizamento e de colocação dos atletas. A CBDU não tem quadro de árbitros e faz parceria com as confederações especializadas nas suas competições. No caso da natação, foi contratada uma federação filiada a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Durante os primeiros dias de competição do JUBs houve um problema no sistema e os procedimentos automatizados tiveram que ser feitos manualmente. 

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