Técnico da seleção brasileira de beisebol reitera desejo de seguir à frente do time

Barry Larkin se mostra orgulhoso do trabalho realizado no País e espera seguir no cargo nos próximos torneios

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Um dos principais responsáveis pela evolução do nível do beisebol brasileiro nos últimos anos é Barry Larkin, o treinador da seleção. O norte-americano chegou ao País há dez anos através do trabalho de divulgação e desenvolvimento do esporte realizado pela Major League Baseball (MLB), a liga norte-americana da modalidade. 

Larkin se tornou técnico da seleção em 2012, a pedido dele próprio. Neste período, conseguiu classificar de forma surpreendente o time para o Clássico Mundial de Beisebol de 2013. Já na edição seguinte, o País chegou ao classificatório como favorito da chave, no entanto, caiu diante da Grã-Bretanha e ficou fora do Mundial. 

Em conversa com o Fera, ídolo do Cincinnati Reds não esconde o orgulho de trabalhar com os brasileiros, muito menos o desejo de continuar à frente da seleção. Cotado para se tornar um técnico da MLB no futuro, Larkin reitera sua preferência pelo desenvolvimento de atletas. "Nas Grandes Ligas, não acho que teria o tempo ou a liberdade de fazer isso. Lá você administra personalidades e não os desenvolve." 

Por toda sua carreira na MLB, Larkin defendeu apenas a camisa dos Reds, entre 1986 e 2004. Neste período, conquistou a World Series de 1990, foi eleito MVP da Liga Nacional em 1995, chegou 12 vezes ao All-Star Game, foi o melhor rebatedor de sua posição em nove temporadas e o melhor defensor em outras três. Em 2012, ele chegou à maior honraria do beisebol, ao ser eleito para o Hall da Fama. 

Fera: Desde que você chegou ao Brasil, o que mais evoluiu no beisebol brasileiro?

Barry Larkin: Para mim, é a participação de jogadores mais atléticos, pelo menos entre os que participam dos camps e clínicas de beisebol. Acho que o conhecimento de beisebol está ficando melhor no País desde 2012, e acho que há uma geração melhor de jogadores que está participando, ou pelo menos que temos tido acesso. Acho que é uma ótima combinação (jogadores atléticos e conhecimento de beisebol).

 

E você acha que algo regrediu?

Não acho. Acredito que sempre há uma curva de aprendizagem e quando você joga em torneios internacionais é realmente o parâmetro para onde você está. A beleza do beisebol é que nem sempre o melhor time ganha, mas o time que está jogando melhor no período do campeonato. Então, acho que de vitórias e derrotas, de sucessos e falhas, há sempre um firme crescimento quando você está desenvolvendo jogadores em um país como aqui.

 

Em uma entrevista sua, você diz que não queria ser um treinador da MLB porque você gosta de desenvolver jogadores. Por que você prefere isso?

Sei de muitos caras que fizeram um impacto na minha carreira e com certeza não foram meus treinadores na MLB. Porque o treinador da MLB precisa administrar 25, 24 outros jogadores e realmente não tem tempo de sentar e conversar sobre as nuances, importantes e pequenos detalhes do jogo. E sei o quão impactante isso tem sido quando as pessoas têm o tempo de sentar e falar comigo as coisas não tão óbvias do jogo. Então, eu quero passar isso para outras pessoas e, como técnico da MLB, não acho que teria o tempo ou a liberdade de fazer isso. Os caras das Grandes Ligas já devem saber como jogar, então você administra personalidades lá e não os desenvolve.

 

Eric Pardinho é tido como um dos melhores prospectos no próximo draft internacional. O que ele realmente tem de diferente dos outros jogadores?

Acredito que ele é um talento especial. Ele não é um cara grande, com um grande braço, mas joga muito forte e ele é jovem, apenas 16 anos. O que é uma grande combinação. Isso, junto com o fato de ele estar vindo de um país que está em desenvolvimento no beisebol, acho que apenas adiciona. Se ele fosse da República Dominicana, ele seria um de muitos. Mas o fato de ele ser do Brasil, por ter começado do jeito que começou, por esse País estar desenvolvendo e ele representar o país, é uma história maravilhosa. Ele tem um braço elétrico, isso se destacaria em qualquer lugar que fosse, mas o fato de ele não ter 1,93m ou 1,95m com aquele braço, acho que o faz ainda mais especial.

Você recebeu algum convite para seguir à frente da seleção brasileira?

Não desde o último campeonato, desde o Classificatório para o Clássico Mundial (em setembro de 2016). Sou o treinador da seleção por alguns torneios, mas assim que chegar o próximo campeonato importante, nós teremos que ver se eles gostariam que eu voltasse ou não. Eu tenho um ótimo relacionamento com a comunidade de beisebol aqui... Se eles me derem a oportunidade, com certeza veremos.

 

O beisebol brasileiro teve muitas influências do beisebol japonês. Você teve algum problema com isso?

Não, o jogo é o jogo. O jogo não muda, não faz diferença onde você joga. Só há uma diferença de estilo, de mentalidade. Então, tendo uma mentalidade vencedora, há estilos diferentes de chegar até lá. Todos têm seus estilos individuais. Quando eu treino um time, eu tento fazer com que os jogadores sejam bem agressivos, porque é dessa maneira que eu pensava como um jogador e é como eu tive meu sucesso, quando eu estava pensando mais agressivamente. Isso é definitivamente meu jeito pessoal de ensinar, desafiar meus jogadores. Mas quanto ao estilo de beisebol, enquanto você chegar à vitória, realmente não faz diferença em como faz isso.

 

Qual é sua grande dificuldade para treinar os jogadores brasileiros? O idioma, talvez?

Bom, eu acho que falo o suficiente de português para eles me entenderem, e falo espanhol também. Quando estou no campo, eu falo espanhol. E se eu sei uma palavra em português, eu falo. Me dizem que falo portunhol. Acho que os jogadores de beisebol falam “beisebol”, e mesmo se você não fala o idioma daquele país, se você está em um campo de beisebol, e você é um jogador, você meio que entende a comunicação que é necessária.

 

Se você não ficar como treinador do Brasil, pretende ajudar o beisebol brasileiro de algum outro jeito?

Esse sempre foi o objetivo antes de eu me tornar o técnico. Eu estava aqui trabalhando em um dos programas de desenvolvimento, então... Esperamos que possamos continuar a fazer isso e se uma oportunidade vier para treinar, eu treinarei. Mas o objetivo que sempre esteve perto do meu coração é o desenvolvimento de jogadores. Isso é o que eu amo fazer e espero ter uma chance para continuar.

 

Vocês diz que os jogadores no Brasil se desenvolveram muito bem. Os técnicos, eles crescem da mesma maneira?

Acho que treinadores serem expostos para informações diferentes e, claro, ter a oportunidade de treinar um time. Mas uma coisa que eu tenho visto aqui é que os técnicos que estiveram envolvidos com a federação e com o programa ficaram muito melhores. E eles ficaram muito melhores porque foram expostos, não apenas à informação, mas também ao jeito de expressar a informação, de desafiar os jogadores a fazê-los melhores. Acho que alguns treinadores que estiveram aqui, que aprenderam novas informações, fariam grandes treinadores porque têm a personalidade e a comunicação para fazer isso.

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