Times da NFL passaram a executar o hino dos EUA em 2009, e foram pagos para isso

Documento de dois senadores reporta que, entre 2012 e 2015, Departamento de Defesa investiu R$ 168,05 milhões em ligas esportivas

Relacionadas

A grande polêmica do mundo esportivo no último final de semana foi a crítica de Donald Trump aos protestos feitos por jogadores da NFL durante a execução do hino nacional antes das partidas. Em resposta, não só os atletas de futebol americano se manifestaram, como também os diretores e donos de franquias da liga, além de jogadores de outras modalidades, como basquete e beisebol

Porém, enquanto alguns afirmam que os jogadores estariam quebrando um ritual de patriotismo histórico da NFL, os atletas da liga só passaram a respeitar o hino nacional americano no campo a partir de 2009. Um dos motivos pelos quais são realizadas cerimônias antes das partidas nas principais ligas americanas é o investimento feito pelo próprio governo. 

 

 

Em novembro de 2015, os dois senadores do Arizona, os republicanos James McCain e Jeff Flake, divulgaram um documento comprovando que o Departamento de Defesa do país (DOD, na sigla em inglês) investiu, entre 2012 e 2015, cerca de US$ 53 milhões (R$ 168,05 milhões) de dinheiro público em 122 contratos de publicidade com clubes esportivos. Deste montante, US$ 10,4 milhões (R$ 32,97 milhões) foram pagos a equipes da NFL, MLB, NBA, NHL e MLS. 

Segundo os senadores, dos 122 acordos, 72, isto é, 59% deles, foram destinados a "atividades específicas, como performances de bandas militares no campo, cerimônias de alistamento, apresentações do hino nacional, abertura de bandeiras por todo o campo, arremessos cerimoniais (no beisebol) e soltura de pucks (no hóquei no gelo)".

 

 

 À época do documento, McCain afirmou que "os torcedores devem ter confiança de que seus heróis locais estão sendo homenageados por seus honráveis serviços militares, não por uma ação de marketing".

Por exemplo, em 2014, o Atlanta Falcons, da NFL, recebeu US$ 114 mil (R$ 361,47 mil) para permitir que um membro da Guarda Nacional da Geórgia (GAARNG, na sigla em inglês) cantasse o hino nacional, além da celebração do aniversário da corporação. 

Já a Força Aérea Americana (USAF, na sigla em inglês) pagou US$ 18 mil (R$ 57,07 mil) para ficar responsável pela execução do hino nacional em uma partida em casa do Pittsburgh Pirates, da MLB, em 2014

 

 

Além do relatório, McCain e Flake propuseram uma emenda ao Ato de Autorização da Defesa Nacional (NDAA, na sigla em inglês), que comanda o orçamento da pasta, proibindo o Departamento de Defesa de patrocinar ligas esportivas. A nova lei foi aceita em setembro de 2015 e passou a valer a partir do ano fiscal de 2016, como publicado pelo HuffPost.

Antes dessas iniciativas do Departamento de Defesa, a NFL não obrigava seus jogadores a ficarem em campo durante a cerimônia do hino, sendo uma ação opcional aos atletas. O protocolo era exigido somente em datas específicas, a exemplo de Super Bowls e memoriais aos atentados de 11 de setembro, como citado em 2016 pelo repórter Tom E. Curran, da Comcast Sportsnet New England (CSNNE), emissora esportiva afiliada à NBC.

 

MAIS SOBRE:

futebol americanoDonald Trump
Comentários