Treinador de Cyborg acredita que ela perdeu por entrar no 'modo desrespeito'

Jason Parillo revelou que tática da adversária fez a paranaense esquecer o plano de luta

 J. Parillo treina a brasileira a mais de sete anos. Foto: Reprodução/Instagram @parilloboxing

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Amanda Nunes nocauteou Cris Cyborg aos 51 segundos do evento co-principal do UFC 232, dia 29 de dezembro, em Los Angeles. Além de surpreender os fãs de MMA com a rápida vitória, a baiana conquistou o título dos penas e se tornou a primeira lutadora a ter dois cinturões simultâneos do Ultimate.

Passadas quase duas semanas do evento, o treinador da paranaense Jason Parillo falou sobre a superluta em entrevista ao site norte-americano MMA Junkie. Ele afirmou que Cristiane perdeu para si mesma o confronto.

Parillo explicou que ao receber um chute na perna e dois socos de Amanda aos 24 segundos, Cris sentiu os golpes e voltou a ser a ‘Cyborg de antigamente'. Com isso, ela partiu para o ‘tudo ou nada’ com a compatriota e esqueceu o plano de luta.

"O que eu vi foi Cris vencer a si mesma. Eu falei em muitas entrevistas antes da luta que essa era a minha maior preocupação: ela ser a Cyborg de antigamente, indo para o tudo ou nada, esquecendo o plano de luta. Eu disse a ela que, quanto mais alto nós chegássemos, mais difícil seria nos manter lá naquele estilo de luta", analisa Jason. 

"Eu conheço a minha lutadora, e vi como ela reagiu quando aquele chute acertou em cheio a sua perna. Ao invés de se afastar e ficar atrás do jab, ela decidiu ir para cima da Amanda com tudo para buscar o nocaute, e acabou sendo pega assim. Foi um daqueles momentos em que você pensa: ‘ela não fez isso...’", relembra.

"Assim que Cris começou a ‘swingar’ em direção à grade. Ela entrou no "modo desrespeito", como se pudesse passar por cima de quem fosse. Mas quem estava diante dela era uma lutadora muito talentosa, com muito poder de nocaute. Essa era a forma como Cris poderia ser vencida, quando enfrentasse alguém que tivesse a capacidade de ter calma diante do seu estilo agressivo. Amanda merece todo o respeito por isso", explica.

Apesar da derrota, Parillo admitiu que agora os fãs vão ver a real personalidade de Cyborg, quem ela é de verdade. Isso porque quando o atleta só vence não dá para conhecer o caráter, pois as pessoas só veem como ‘a pessoa mais durona do mundo’.

"Acho que ninguém - fãs ou as pessoas da indústria do MMA - conseguiriam conhecer a verdadeira personalidade de Cris Cyborg se ela não tivesse sofrido essa derrota. Todos viram a forma como ela abraçou Amanda, como foi humilde na derrota. Essa é Cris Cyborg", conta o técnico da brasileira.

O contrato de Cyborg com o UFC termina em março desde ano e Jason espera que a paranaense faça mais uma luta até a data. No entanto, ele não cre que seja uma revanche com Amanda Nunes.

"Não acho que eles vão nos dar a revanche imediata, mas tudo bem. Se conseguirmos lutar até março será excelente. Mas não sei se isso irá acontecer. As negociações são trabalho para o empresário. Só quero o melhor para Cris", conclui Parillo.

 

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