Brasileiro de 8 anos acerta 900°, quebra recorde e sonha voar ainda mais alto

Guilherme Khury é o skatista mais novo a realizar manobra completada por apenas 16 atletas no mundo

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O Brasil é uma potência mundial do skate desde que Bob Burnquist e Sandro Dias, no início dos anos 2000, elevaram o nome do país dentro do esporte. Mas para se manter no topo é preciso ter capacidade de renovação, algo que os brasileiros vem fazendo nos últimos anos. Em 2004, o Mineirinho, foi o primeiro brasileiro a acertar o 900°, manobra realizada até hoje por apenas 16 atletas no mundo todo. E o último a conseguir a façanha foi Guillherme Khury, de apenas 8 anos.

“Eu comecei a andar de skate com 10 anos e naquela época não era nem considerado esporte. Com 14, era o mais jovem nas competições aqui no Brasil. E, hoje, vemos crianças acertando 900. Isso mostra o desenvolvimento do skate e faz parte também do nosso legado. Fico muito feliz”, afirma Sandro Dias, que conheceu Guilherme em um acampamento organizado por ele, quando o garoto tinha 6 anos. "Ele me mandou o vídeo depois que acertou o 900. Toda vez que eu vejo o Gui, fico mais impressionado com o nível técnico dele. Esse garoto tem futuro", completa Mineirinho, dono de seis títulos mundiais. 

 

 

Antes de ser o skatista mais jovem a completar os dois giros e meio no ar, Khury já havia quebrado o recorde ao acertar o 540 e o 720. O recorde anterior dos 900 também pertencia a um brasileiro, Luigi Cini, que completou a manobra em 2016, aos 14 anos. Há uma coincidência entre os dois recordes, ambos aconteceram na mesma pista, a Green Box Vert Ramp, construída pelo pai de Guilherme Khury, no sítio da avó do menino, em Campo Largo, cidade localizada na região metropolitana de Curitiba.

"Ele se espelha muito no Luigi. Depois que ele acertou o 900, o Gui começou a treinar também. Primeiro, ele tentou voltar de costas (jeito de andar conhecido como fakie). Falei para tentar de frente e ele acabou acertando", relembra o pai, Ricardo Khury. O próximo desafio do garoto é acertar o 900 fakie, manobra que apenas Bob Burnquist conseguiu realizar até hoje. 

Ricardo Khury gostava de andar de skate e surfar e, desde pequeno, incentivou os filhos, Guilherme e sua irmã gêmea. A lembrança do nascimento do garoto era um skate de chocolate e a prancha com quatro rodinhas também foi o primeiro brinquedo que o pai comprou ao filho. Quando os gêmeos tinham 2 anos, a família se mudou para Califórnia, aos 4, as crianças começaram a andar de skate em uma escolinha indicada por um amigo. A menina levou um tombo e acabou desistindo, assim, o irmão começou a fazer duas aulas por semana, uma no lugar da irmã. No ano seguinte, ele dropou no half pela primeira vez e, aos seis, começou a dar seu primeiros aéreos. Com a mesma idade participou de um concurso e desceu megarrampa da Woodward, acampamento especializado em diversas modalidades esportivas, entre elas, o skate. 

"Foi um terror pra mim e a minha mulher ver ele descer aquela rampa. Mas ele não tem medo e ficou fissurado pela megarrampa", relembra Ricardo.

 

De volta ao Brasil, o pai decidiu construir a própria pista de skate para que o filho continuasse praticando. Ergueu um barracão no terreno da casa de sua mãe para que o tempo não estragasse a pista. Hoje, o local virou a principal diversão do garoto e seus amigos, que praticam skate ali de segunda, quarta e sexta-feira, das 16h às 20h.

"Na minha época o skate era marginalizado e até hoje tem um lugares barra pesada. Nos EUA é diferente, as pistas são integradas com área de piquenique, parquinho. É um lugar para você fazer amizade e levar a família. Aqui o governo pega uma pracinha e coloca lá uma pista. A família do skate é grande, mas ainda falta estrutura", ressalta Ricardo

 

ENCONTRO COM TONY HAWK

Em julho, Guilherme sofreu um acidente grave na Califórnia. Caiu da janela do segundo andar, bateu com a cabeça em um registro de gás e teve de ser levado às pressas ao hospital. Passou por uma cirurgia para colocar uma placa na cabeça e ficou um mês e meio sem poder andar de skate. Ele tinha acabado de se recuperar, quando foi convidado para andar com Tony Hawk, na Argentina. O garoto fez um 540, enquanto a lenda do skate saltou por cima dele, levantando as 40 mil pessoas que assistiam ao show. O registro está publicado em seu Facebook com e legenda “melhor dia de todos".

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