Jon Rose: o surfista que leva água potável a milhões de pessoas pelo mundo

No Dia Mundial da Água, a Red Bull lança documentário sobre o projeto 'Waves For Water', que leva água limpa a comunidades carentes, zonas de conflito e vítimas de catástrofes

Em um mundo em que dois terços da população vive em áreas com escassez de água, de acordo com Relatório Mundial das Nações Unidas, o projeto "Waves For Water" surge como um oásis em meio ao deserto. Criado pelo ex-surfista profissional Jon Rose, em 2009, o programa social tem levado água potável a comunidades carentes, zonas de conflitos e vítimas de catástrofes naturais. O projeto distribui estruturas de filtragem simples, de fácil montagem e que consegue abastecer uma comunidade de até 100 pessoas durante cinco anos. 

A trajetória de Jon Rose como empreendedor social tornou-se um documentário produzido pela Red Bull e lançado nesta quarta-feira, 22, no Dia Mundial da Água. Com 52 minutos de duração, o vídeo gravado durante quatro anos mostra desde a decisão de Rose em largar o surfe profissional até algumas das ações de seu projeto. Em oito anos, a organização conseguiu atender 7 milhões de pessoas em 27 países, incluindo Serra Leoa, Indonésia, Nicarágua, Haiti, Brasil, Libéria, México, Índia, e Colômbia. 

"O filtro que usamos são fáceis de usar e custam cerca de 50 dólares e a quantidade que ele pode filtrar é de 1 milhão de galões (3,78 milhões de litros). Se fizer a matemática de quanto uma pessoa precisa para o uso diário, podemos projetar que um filtro dure por décadas", explica Jon Rose.

Mas os filtros são apenas um dos intens oferecidos pela organização, que fornece ainda serviços como escavação de poços, ou sistema de captação de água da chuva, dependendo da necessidade da região. E a escolha do local pode ser uma indicação dos parceiros, que ajudam a arcar com os gastos da instalação. Por exemplo, em 2014, durante a Copa do Mundo, a organização fez alguns trabalhos no Brasil e teve como um de seus parceiros Neymar, que até deixou seu depoimento no documentário. 

Pesquisas ajudam a determinar os locais com a maior necessidade de ajuda, assim como desastres naturais podem apontar a região ideal. Inclusive, a ideia de criar o projeto surgiu após o surfista passar por um terremoto que deixou mais de mil mortos e 100 mil desabrigados na cidade de Padang, na Indonésia. "Até então, todo o meu ‘senso de identidade’ estava ligado à minha figura como surfista. E, de repente, fui tomado por um propósito, por uma motivação maior. Foi uma grande mensagem do Universo”, revela. 

Jon Rose também esteve no maior desastre ambiental da história do Brasil, quando o estouro de uma barragem em cinco de novembro de 2015, matou 19 pessoas e provocou um tsunami de lama que avançou sobre a bacia do rio Doce até chegar ao litoral capixaba. "Estivemos lá ajudando algumas das comunidades e assegurando que eles terão água limpa para beber. Mas, obviamente, em um desastre como esse, as ramificações são enormes, especificamente as ambientais".

Rose lembrou ainda que o ocorrido em Mariana não foi um desastre natural, mas um acidente, que poderia ter sido evitado. "Foi trágico, principalmente porque foi feito pelo homem. Uma coisa é quando um furacão destrói uma comunidade, mas quando é feito por ação humana... Aqueles depósitos sucumbiram e despejaram lixo no sistema do rio. Todas as comunidades que foram afetadas viviam em função daquele rio, o Rio Doce. E isso foi trágico. Ecossistemas dizimados, cidades dizimadas. Estamos falando de décadas até que aquele local se recupere", ressaltou. 

Para ter mais informações sobre a Waves for Water e ajudar a organização acesse o site: www.wavesforwater.org/. O documentário sobre o projeto pode ser encontrado na Red Bull TV

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