Sem mecânico e equipe de apoio: conheça o 'MacGyver' do Rally dos Sertões

Christian Constantini está fazendo uma série de documentários para estimular pilotos a fazer o mesmo que ele

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Maior dos ralis disputados do Brasil, o Sertões realmente é "para gente grande". Para chegar ao fim dos 3.300 km em sete dias, é preciso muito empenho e trabalho árduo tanto dos competidores, como de sua equipe de apoio. Porém, um piloto em especial prefere abrir mão disso para fazer tudo sozinho, pilotando sua moto na categoria Super Production e, enquanto não está competindo, atuar como mecânico.

Trata-se de Christian Costantini, da equipe One Rally, nome bastante sugestivo para a postura que adota. "Eu competi a primeira vez dois anos atrás e vim com uma equipe completa. Porém, na ocasião eu caí e acabei me dando mal. Então, desde o ano passado, decidi mudar os planos e fazer tudo de um jeito mais básico possível", disse ele, que está acompanhado apenas de seu pai, um motorista para o carro de apoio, que carrega o combustível e as barracas em que dormem e também um cinegrafista, que está trabalhando em uma espécie de pequenos documentários. "Depois do que eu fiz no ano passado, quando completei a prova, a organização do rali me procurou com a ideia de criar uma categoria assim, com o cara sendo piloto e mecânico. Eu achei boa a ideia e perguntei como poderia ajudar. Então decidimos fazer esses documentários, para a galera assistir e animar fazer isso que eu faço", explicou.

Mesmo trabalhando sozinho, com uma etapa para o fim do rali, Christian está na terceira posição em sua categoria, atrás apenas de Jean Azevedo e Gregorio Caselani, grandes nomes da modalidade. A falta de apoio, porém, pode lhe custar caro nessa reta final. "Teve um dia que pedi para o pessoal de uma equipe de amigos levar o meu galão de gasolina, mas acabei colocando pouco e não tinha o suficiente para completar a prova. Então entrei em uma comunidade e comprei de locais, me fazendo perder tempo. Para essa última etapa, estou com a quinta marcha quebrada e, por não ser mecânico, isso é um tipo de coisa que não sei arrumar. A solução vai ser fazer a prova até Bonito usando só até a quarta marcha", lamentou.

Gastando cerca de R$ 20 mil para fazer a prova, sem contar o valor da moto, o piloto paulistano não concorda com a postura de alguns, que gastam uma fortuna de estrutura para fazer o Sertões. "Completar a prova é muito fácil e eu já mostrei isso no ano passado. Não precisa de muita coisa para chegar até lá. Mas também, é que talvez o meu objetivo seja diferente da maioria das pessoas. Para mim, completar a prova é uma vitória, eu sei que não tenho condições de competir com o pessoal da Honda", citando os dois líderes da categoria, que possuem grande vantagem de estrutura do que seus adversários.

Assista aos episódios da jornada de Christian até aqui no Sertões:

 

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