FERA ENTREVISTA: Os perrengues, causos e bordões de Everaldo Marques

Narrador lembra presepadas durante narrações e suas melhores transmissões

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Em quase 15 anos de carreira, nem todas as transmissões ocorreram conforme o esperado para Everaldo Marques, tanto no lado positivo como negativo. De partida de basquete sem placar e cronômetro a narração histórica que virou toque de celular, o narrador tem boas histórias para contar. 

Nesta segunda parte da entrevista com o Fera, Everaldo também revelou como pensa nos seus bordões. "Uso muito aquilo que a internet está falando. Ano passado, retrasado tinha o 'taca-lhe pau' por causa do menino lá do carrinho", explica. 

Na semana passada, publicamos a primeira metade da conversa com Evê, na qual ele contou sobre seu sonho de infância em se tornar narrador, como entrou no jornalismo e até como chegou à ESPN Brasil.

 

 

Qual foi a pior transmissão que você participou? Seja por erros, quedas de sinal ou problemas técnicos. 

Talvez as que eu falhei, eu tenha apagado da memória. Que eu me lembre, tenho três que foram, no mínimo, curiosas. Em 2006, eu estava narrando o Tour de France, durante a Copa do Mundo, e, no meio da transmissão de uma das etapas, eu comecei a passar mal. Eu virei para o comentarista, o Celso Anderson - que está na ESPN até hoje - fiz um sinal do tipo 'vai você porque eu não estou legal'.

Saí do estúdio para vomitar, deitei no chão e o mundo estava rodando ali por uns dois ou três minutos. Meu gerente de produção na época falou 'vai pra casa', falei que não, voltei à transmissão, passei mal de novo, saí de novo para vomitar e minha pressão caiu. Mas eu voltei para o microfone de novo e terminei a transmissão, narrei a chegada e tal. 

No ar, ninguém percebeu porque, nos minutos que fiquei fora cada vez que passei mal, o comentarista ficou falando. Saí de lá, fui para o hospital e foi só um mal estar. (No dia seguinte) cheguei na redação cedo e estava o Eduardo Elias estudando como um louco ciclismo porque ele ia me substituir caso eu não conseguisse (narrar). Mas cheguei e fiz tudo normalmente. 

 

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Tiveram duas outras com 'problemas técnicos'. Num Giro D'Itália, não lembro o ano, teve um etapa em que o tempo estava muito ruim, de neve e neblina. Bem, as transmissões de ciclismo são geradas em câmeras colocadas em helicópteros e motos. Primeiro, o helicóptero não podia decolar porque o clima estava ruim e, segundo, as imagens das motos não subiam para o satélite. Ou seja, a transmissão abriu mostrando uma câmera fixa na linha de chegada e o público esperando, só que os ciclistas ainda iam levar duas, três horas para chegar. Então, eu e o Celso Anderson ficamos três horas conversando sobre ciclismo sem ter muita informação a respeito da prova. Eles chegaram a mostrar os melhores momentos das outras etapas, mas isso durou meia hora. Depois mostraram imagens do público esperando e só. 

E eu lembro que eu sintonizei no computador a rádio italiana RAI, que também transmitia o Giro na época. A cada 20 minutos, um repórter entrava pelo celular e, nessa hora, eu fazia um sinal para o Celso sair falando para que eu pudesse prestar atenção no que o repórter estava dizendo e coletar alguma informação ali. 

 

E você entende italiano?

Eu entendo, sim. Cobri Fórmula 1 por três anos, quando o (Rubens) Barrichello corria na Ferrari, então, por osmose, eu aprendi. E no final me virei bem naquela transmissão. 

 

 

 

"Acaboooou, acabooooou, vai Golden State Warriors!" - @everaldomarques1

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Uma última, foi quando estava fazendo NBA. O sinal que recebemos dos Estados Unidos não vem por satélite, mas por fibra ótica. Não sei o que aconteceu, toda a rede de fibra ótica da ESPN caiu. Ficávamos no ar dois ou três minutos, falávamos alguma coisa e íamos para comerciais. Ficamos de 40 minutos a uma hora sem sinal do jogo. 

O pessoal aqui conseguiu uma manobra para colocar o sinal de streaming do WatchESPN no ar. Só que esse sinal, quando expandia para a televisão, cortava o placar e o cronômetro. Como você faz um jogo de basquete sem placar e sem saber quanto tempo falta? Minha sacada foi abrir no meu celular, conectar no WatchESPN também e transmitir olhando no celular, porque estava sincronizado com o que tinha na TV, e ali eu via tempo e placar. Narrei um quarto e meio assim e no final foi até engraçado. 

 

 

 

Quais das suas narrações você acredita que foram excelente, em que foi bem e deu tudo certo?

Cada esporte tem uma narração que lembro com carinho. Tem o vôlei feminino do Brasil em Londres (vitória na final por 3 a 1 sobre os Estados Unidos), que foi a que eu mais me emocionei, porque é um esporte que joguei na juventude. 

Tem também o Jogo 6 das Finais da NBA de 2013, quando o Ray Allen meteu aquela bola de três no finalzinho (vitória do Miami Heat por 103 a 100 sobre o San Antonio Spurs). Esse jogo foi para a prorrogação, o torcedor do Miami já estava indo embora do ginásio, o jogo parecia decidido para o San Antonio Spurs e o Ray Allen meteu aquela bola mágica. Depois, Miami venceu aquele jogo, forçou e venceu o Jogo 7 (e foi campeão). 

E uma de rádio, tem o gol do Paulinho, pelo Corinthians contra o Vasco da Gama (vitória por 1 a 0, nas quarta de final), na Copa Libertadores de 2012. Até hoje me encontram na padaria e falam 'olha o toque do meu celular' e é a narração desse gol. 

 

 

Você cria seus bordões na hora ou pensa neles antes para usar nas transmissões?

Nunca bolei antes e hoje uso muito aquilo que a internet está falando. Recentemente, tinha o 'taca-lhe pau' por causa do menino lá do carrinho. Ou daquele meme 'se juntos eles já causam, imagina juntos'. 

 

Você se assiste, seja para corrigir algumas coisas ou até para relembrar algumas narrações antigas?

Eu tenho algumas gravadas e, quando tem reprise dos jogos que eu faço, eu tento assistir para encontrar coisas que poderia melhorar e tal. Às vezes eu coloco para gravar em casa. Não vejo todas, mas eu tento a maioria. 

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